Ciência, Espaço

O sucessor do Hubble

18/02/2012 1 comentário
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Publicada em 19 de fevereiro de 2012

Ethevaldo Siqueira

O telescópio espacial Hubble revolucionou nosso conhecimento do universo ao longo dos últimos 22 anos, desde o seu lançamento em órbita em 1990. A massa de novas informações que ele forneceu foi tão grande nesse período que poderíamos dividir a cosmologia em duas eras: uma antes e outra depois do Hubble, com duas siglas talvez assim: aH e dH.

Imagine agora, leitor, o que poderá significar para o futuro conhecimento astronômico da humanidade o novo telescópio espacial James Webb, projetado para ser o sucessor do Hubble. Muito diferente de seu antecessor em sua concepção, o próximo observatório orbital terá o tamanho de uma quadra de tênis, e vai girar em torno da Terra a uma distância quase quatro vezes maior do que a da Lua, a 1,5 milhão de quilômetros.

Diferença básica

James Webb será muito diferente do Hubble

Quanto ao seu funcionamento, uma das grandes diferenças básicas entre o Hubble e o Webb será a predominância e do uso das radiações infravermelhas, que são, aliás, vitais para a compreensão do universo. Basta lembrar que os objetos mais distantes só podem ser bem observados em luz infravermelha. Outros corpos celestes mais frios – ou menos quentes – seriam invisíveis, se não fossem observados nesse espectro. Nem a espessura das nuvens de poeira cósmica poderia ser avaliada com alguma precisão, se não fossem as manchas infravermelhas que lhes definem o contorno.

Duas características fundamentais do Webb serão seu espelho de 6,5 metros de diâmetro e sua órbita distante, situada no ponto chamado L2, em que se equilibram as atrações gravitacionais da Terra, da Lua e do Sol. Ao girar nessa órbita situada a 1,5 milhão de quilômetros de distância da Terra, o Webb detectará a radiação infravermelha com precisão muito maior do que a de qualquer outro telescópio no espaço, segundo prevê a NASA (sigla em inglês da Administração Norte-Americana de Aeronáutica e Espaço).

Para o novo telescópio espacial será tão fácil enxergar o universo no comprimento de onda infravermelho quanto o Hubble enxerga no espectro de cores visíveis. A expectativa dos cientistas, portanto, é de que o novo telescópio espacial deverá proporcionar uma massa incrível de novas descobertas, abrindo uma porta para o conhecimento de um trecho do universo ao qual a humanidade tem tido pouco acesso em suas observações.

Mesmo com os cortes radicais impostos ao orçamento da NASA, a equipe de cientistas e engenheiros responsável pelo projeto continua trabalhando no desenvolvimento do desenho e da montagem das peças que deverão constituir o Webb, incorporando em seu projeto o que existe de mais avançado em matéria de tecnologia. Aliás, o novo telescópio espacial foi concebido para resistir não apenas ao mais intenso dos frios mas, também, para tirar o máximo de vantagens dessa situação.

Abrindo as asas

O telescópio especial Webb viajará dobrado dentro de um foguete para facilitar seu lançamento e abrirá suas asas como uma borboleta, assim que se aproximar de sua órbita definitiva.

Se novos cortes do orçamento da NASA não forem feitos, é provável que o lançamento do Webb ao espaço venha a ocorrer até o fim desta década ou, no máximo, em 2021, e que ele seja posto numa órbita distante e isolada, para, então, dar início a um conjunto de pesquisas totalmente novas. Em sua lista prioritária de tarefas, o novo observatório deverá trazer milhares de informações sobre supernovas, buracos negros, galáxias jovens e planetas que possam potencialmente abrigar alguma forma de vida.

O que os cientistas esperam, assim, é um conjunto de respostas sobre os maiores mistérios da astronomia. Para cumprir essa pauta de trabalho, o Webb contará com o apoio das tecnologias e dos recursos mais avançados da atualidade.

Por que Webb

O nome do novo telescópio espacial é uma homenagem a James Webb, segundo diretor-geral da Nasa, responsável pelo Projeto Apollo, que levou diversos astronautas norte-americanos à Lua.

Os dirigentes da NASA costumam recordar o compromisso dos Estados Unidos, feito pelo presidente John Kennedy em 1961, de que os norte-americanos levariam o primeiro homem à Lua e o trariam de volta com toda segurança antes do fim daquela década.

Na interpretação de James Webb, o projeto espacial norte-americano era muito mais do que um compromisso político, por sua grande sinergia sobre o trabalho das universidades e da indústria aeroespacial. Hoje, igualmente, o novo telescópio espacial representa muito mais do que um compromisso político. É, mais do que tudo, um desafio científico e tecnológico.

Como parte de uma história oral do novo telescópio espacial, a biblioteca LBJ, de Austin, no Texas, conseguiu recuperar o áudio das conversas mantidas entre James Webb e o ex-presidente John Kennedy e seu vice-presidente, Lyndon Johnson. Segundo a transcrição de um trecho, Kennedy teria dito a Webb aproximadamente o seguinte: ”Não estou iniciando um programa que se resume num único objetivo. Se você aceitar ser o administrador, é para transformar o programa espacial num conjunto de benefícios para o país como um todo.”

Numa avaliação histórica da gestão de James Webb, os especialistas reconhecem hoje a importância de sua visão equilibrada de todo o programa espacial norte-americano.

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1 Comentário
  • Carlos U. Pozzobon no dia 24/02/2012, 13:06 disse:

    Se o Hubble já nos assombrou durante anos com revelações assustadoras sobre a “densidade” do Universo, imagino o que não fará o James Webb. Os antigos gauleses tinham medo que o céu caísse em suas cabeças. Cada vez que se publicava fotos do “populoso” universo captado pelo Hubble eu sentia algo parecido. Mal posso imaginar o que vai acontecer com um telescópio “plantado” em uma órbita tão distante. Proponho que seja criado um feriado em domingo só para se parar um pouco de falar em assuntos terrenos e comentar sobre o nosso Universo: acho que ele merece, pois afinal, nunca é tarde demais.

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    Escritor, consultor e jornalista especializado em novas tecnologias, colunista do Estado de S. Paulo, colaborador da revista Época e comentarista da Rádio CBN.

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    Para Compreender o Mundo Digital (2008)

    Revolução Digital (2007)

    Tecnologias que Mudam Nossa Vida (2007)

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