{"id":23,"date":"2026-05-22T00:23:52","date_gmt":"2026-05-22T03:23:52","guid":{"rendered":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-1\/"},"modified":"2026-05-22T00:23:52","modified_gmt":"2026-05-22T03:23:52","slug":"mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-1\/","title":{"rendered":"Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo 2020: post 1"},"content":{"rendered":"<p><strong>&gt;&gt;<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7a aqui minha cobertura da 44\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo, a vig\u00e9sima primeira da qual eu participo deste festival que definitivamente mudou minha vida. A ideia \u00e9 fazer posts com textos, maiores ou menores, de alguns dos filmes que eu for assistindo. O festival abre oficialmente na quinta, numa sess\u00e3o presencial, e a programa\u00e7\u00e3o online come\u00e7a a partir da madrugada do dia 23. No final do post, tem um pequeno tutorial com informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre a Mostra 2020. Compartilhem comigo suas impress\u00f5es nos coment\u00e1rios e deixem suas dicas tamb\u00e9m. Boa Mostra!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12922 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIAS-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIAS-210x300.jpg 210w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DIAS.jpg 699w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><strong>Dias<\/strong> \u2605\u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Rizi<\/em>, Tsai Ming-Liang, 2020<\/p>\n<p>Um breve coment\u00e1rio que parece pertinente no caso deste filme: tentei, por\u00a0v\u00e1rias vezes, encontrar as palavras certas para come\u00e7ar um texto sobre o novo trabalho de Tsai Ming-liang. Travei em todas elas. E resolvi fazer o que todo mundo faz hoje em dia, reclamar (de mim mesmo) nas redes sociais. Minha frase foi a seguinte: \u201c\u00e0s vezes um filme mexe tanto com voc\u00ea que te rouba as palavras\u201c. Depois, refletindo sobre o assunto, percebi que minha confiss\u00e3o era a maneira mais leg\u00edtima para que eu come\u00e7asse um texto sobre este filme.<\/p>\n<p>Os letreiros iniciais, antes das primeiras imagens, avisam que \u201cDias\u201d n\u00e3o ser\u00e1 apresentado com legendas. Faz sentido porque o filme de Tsai, o primeiro longa de fic\u00e7\u00e3o do diretor em sete anos, n\u00e3o rouba as palavras somente do espectador, mas de seus dois personagens. S\u00e3o pouqu\u00edssimos os di\u00e1logos do filme, que aparecem somente em momentos pontuais e n\u00e3o s\u00e3o essenciais para qualquer tipo de compreens\u00e3o. As cenas, todas formadas por longos takes \u2014 algu\u00e9m que contou diz que s\u00e3o apenas 46 num filmes de 128 minutos \u2014 \u00a0s\u00e3o guiadas basicamente pelas imagens e pelos sons do dia-a-dia.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um filme sobre como somos engolidos pelo cotidiano, sobre como apagamos nossas pr\u00f3prias vozes para nos preservar e sobre como a conjuntura social e as estruturas seculares nos condenam \u00e0 solid\u00e3o. A cena que abre o longa, com Lee Kang-sheng, o eterno parceiro do cineasta malaio, olhando fixamente pela janela de casa. Sua express\u00e3o triste, s\u00e9ria, solit\u00e1ria, j\u00e1 indica que este n\u00e3o ser\u00e1 um filme f\u00e1cil. Lee j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o rapaz dos primeiros filmes de Tsai. \u00c9 um homem de mais de 50 anos que carrega as marcas do tempo no rosto e no corpo, elementos que o diretor, das mais variadas formas, explorou ao longo de toda uma filmografia.<\/p>\n<p>Se este jovem senhor sente a paralisia do tempo e uma dor f\u00edsica da qual n\u00e3o consegue se livrar, o outro personagem do filme, um jovem imigrante de origem tailandesa, vive seus dias isolado em seu apartamento, cozinhando, dormindo, se protegendo como pode da hostilidade do mundo l\u00e1 fora. Tsai conta a hist\u00f3ria dos dois paralelamente, detalhadamente, com uma simplicidade que contrasta com o grafismo das cenas que enquadra, at\u00e9 nos lembrar que um precisa sobreviver e o outro precisa existir. Se a cura para um corpo sozinho \u00e9 outro corpo, uma caixinha de m\u00fasica pode guardar toda a humanidade de um homem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12923 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/KUBRICK-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/KUBRICK-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/KUBRICK.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Kubrick por Kubrick<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Kubrick by Kubrick<\/em>, Gr\u00e9gory Monro, 2020<\/p>\n<p>Stanley Kubrick era um homem de poucas palavras, um artista recluso que raramente falava sobre sua obra. A oportunidade de ouvir o diretor explicando escolhas, contextos e inten\u00e7\u00f5es &#8212; numa entrevista concedida ao cr\u00edtico de cinema franc\u00eas Michel Ciment &#8212; \u00e9 \u00fanica e d\u00e1 ao document\u00e1rio de Gr\u00e9gory Monro um sabor especial. Ele articula com certa habilidade, mesmo que de um modo bem convencional, o depoimento do cineasta e testemunhos de atores e t\u00e9cnicos que trabalharam com ele, colhidos de fontes e \u00e9pocas diferentes. Os principais filmes de Kubrick s\u00e3o comentados por ele mesmo, o que ajuda a desmistificar alguns aspectos de como o diretor constru\u00eda seus projetos e acentua sua excentricidade nos bastidores. \u00c9 um prato cheio para os cin\u00e9filos, mas n\u00e3o oferece tanto em termos de an\u00e1lise de uma obra t\u00e3o complexa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12924 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LUA-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LUA-210x300.jpg 210w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LUA.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><strong>Lua Vermelha<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\nL\u00faa Vermella, Lois Pati\u00f1o, 2020<\/p>\n<p>No filme fantasma de Lois Pati\u00f1o, o tempo parou para chorar um morto. Os planos, muitos deles fixos ou com delicados movimentos de c\u00e2mera, congelam instantes de luto dos moradores de uma pequena vila na Gal\u00edcia, onde um pescador que era um her\u00f3i da comunidade saiu para o mar e nunca mais voltou. \u201cComo se a mar\u00e9 atingisse nosso pesco\u00e7o e quisesse nos estrangular\u201d. Para o diretor, a tristeza que paralisa estas pessoas tamb\u00e9m resgata dois aspectos fundamentais intr\u00ednsecos \u00e0quela comunidade, sua rela\u00e7\u00e3o com a natureza e sua devo\u00e7\u00e3o ao espiritual, ambas exploradas no recente cinema galego. Se as imagens e o rigor formal de Pati\u00f1o parecem enclausurar algumas possibilidades de seu cinema e talvez at\u00e9 se acomodar num modelo pretensamente po\u00e9tico, o cineasta tem grande habilidade para transformar estas amarras em linguagem e investigar como as lendas e mitos ecoam ainda hoje e como se adaptam aos tempos. Os monstros est\u00e3o por a\u00ed, soltos, esperando para dar o bote. \u201cQue paz, que horror.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12925 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MAES-204x300.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MAES-204x300.jpg 204w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MAES.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><strong>M\u00e3es de Verdade<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\n<em>Asa ga Kuru<\/em>, Naomi Kawase, 2020<\/p>\n<p>Por mais que nunca abandone a negocia\u00e7\u00e3o com o espiritual que j\u00e1 foi base de alguns de seus melhores filmes, faz algum tempo que Naomi Kawase se voltou para os &#8220;problemas da vida real&#8221; e mostra alguma dificuldade em encontrar as camadas certas para traduzir sua sensibilidade em quest\u00f5es t\u00e3o pr\u00e1ticas. Tanto &#8220;Sabor da Vida&#8221; quanto &#8220;Esplendor&#8221;, filmes que lidam com assuntos cotidianos e ao mesmo tempo delicados como a velhice e a cegueira, poderiam ser o espa\u00e7o para a diretora exercitar o modo po\u00e9tico que vimos em suas primeiras obras, mas se refugiam numa dramaturgia novelesca quando parecem mirar num &#8220;cinema de afetos&#8221;. Essa fase segue firme em &#8220;M\u00e3es de Verdade&#8221;, embora a m\u00e3o da cineasta pare\u00e7a mais suave. Se parte do pragmatismo da disputa por uma crian\u00e7a, o novo filme, que discute a maternidade pelo ponto de vista da ado\u00e7\u00e3o, contrap\u00f5e mulheres que est\u00e3o de lados diferentes &#8212; e por isso se movem pelo instinto &#8211;, mas que se reconhecem no sentimento. \u00c9 um movimento que indica um caminho interessante e cheio de possibilidades, mas que Kawase n\u00e3o explora com as nuances que poderia. Em vez de desenvolver as personagens, ela escolhe o caminho mais did\u00e1tico: mostrar suas trajet\u00f3rias at\u00e9 aquele ponto, usando texto e imagens convencionais que convidam \u00e0 piedade. Embora haja respiros de uma sensibilidade mais refinada, aquela cineasta dos tempos de &#8220;Shara&#8221; ainda est\u00e1 distante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12926 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MAMA\u0301-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MAMA\u0301-211x300.jpg 211w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MAMA\u0301.jpg 632w\" sizes=\"auto, (max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><strong>Mam\u00e3e, Mam\u00e3e, Mam\u00e3e<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Mam\u00e1 Mam\u00e1 Mam\u00e1<\/em>, Sol Berruezo Pichon-Rivi\u00e8re, 2020<\/p>\n<p>&#8220;Mam\u00e3e, Mam\u00e3e, Mam\u00e3e&#8221; poderia ser classificado, literalmente, como um &#8220;filme de menina&#8221;. Al\u00e9m de ter um elenco em que 90% das personagens s\u00e3o mulheres e uma equipe majoritariamente feminina, a diretora Sol Berruezo Pichon-Rivi\u00e9re n\u00e3o apenas conta a hist\u00f3ria, uma hist\u00f3ria de luto, da perspectiva de sua pequena protagonista. Ela parte de dentro de um universo \u00edntimo, ora l\u00fadico, ora cheio de d\u00favidas e incertezas de uma garota de dez anos que perdeu a irm\u00e3zinha. N\u00e3o s\u00e3o poucos os filmes que investigam o vazio deixado pela morte a partir da perspectiva de uma crian\u00e7a, mas a cineasta argentina encontra uma maneira muito delicada de abordar o assunto, estabelecendo um ambiente quase que completamente infantil, onde os poucos adultos mal s\u00e3o convidados a entrar. Como observou o Alysson Oliveira, h\u00e1 ecos do que Sofia Coppola fez em &#8220;As Virgens Suicidas&#8221; com as personagens de ambos filmes criando uma esp\u00e9cie de sociedade secreta informal em que os afetos ditam as regras. Embora haja algumas escolhas um tanto \u00f3bvias, vindas sobretudo da inexperi\u00eancia de uma diretora de primeira viagem, h\u00e1 uma sofistica\u00e7\u00e3o que atravessa a o campo visual, com uma c\u00e2mera que parece apaixonada por aquelas meninas, e ganha corpo na sensibilidade com que a hist\u00f3ria \u00e9 contada. Por mais que a pequena Cleo precise lidar com a imensa tristeza causada pela aus\u00eancia da irm\u00e3, a chegada de suas tr\u00eas primas estabelece um mundo de ingenuidade e inoc\u00eancia onde ela pode recarregar suas for\u00e7as e diminuir sua dor. As escolhas delicadas que se v\u00ea em todo o filme, de uma maneira bastante consciente, mostra que, por mais que este seja um primeiro longa, este &#8220;filme de menina&#8221; est\u00e1 mais para &#8220;filme de mulher&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12927 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-212x300.jpg 212w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-725x1024.jpg 725w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-768x1085.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-1087x1536.jpg 1087w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-1450x2048.jpg 1450w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-PROBLEMA-scaled.jpg 1812w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><strong>O Problema de Nascer<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\n<em>The Trouble With Being Born<\/em>, Sandra Wollner, 2020<\/p>\n<p>\u00c9 interessante como Sandra Wollner sempre parece ter plena consci\u00eancia da pol\u00eamica que atravessa &#8220;O Problema de Nascer&#8221;. Ela sabiamente esconde sua jovem atriz, de dez anos, atr\u00e1s de um nome falso e uma m\u00e1scara de silicone, mas quando o filme parece tentar decifrar como um homem que lida com a pedofilia encontra alternativas para satisfazer seu desejo, a hist\u00f3ria vira de cabe\u00e7a pra baixo. Se est\u00e1 sempre claro que Elli, a garota-andr\u00f3ide interpretada pela fict\u00edcia Lena Watson, \u00e9 a protagonista do filme e que, paralelamente ao debate sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o &#8220;pai&#8221;, h\u00e1 uma discuss\u00e3o sobre identidade, pertencimento, exist\u00eancia, temas at\u00e9 bastante comuns em filmes sobre seres artificiais, todo o primeiro tema desaparece justamente no momento da narrativa em que Wollner teria que desenvolv\u00ea-lo. Este movimento pode at\u00e9 ampliar o que o filme discute, mas n\u00e3o deixa de parecer uma fuga de um dos assuntos propostos. A diretora \u00e9 bastante elegante visualmente e revela muita sensibilidade na escolha de como apresentar a primeira situa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 frustrante que ela evite resolver ou pelo menos se aprofundar nas quest\u00f5es que lan\u00e7a. Embora a segunda metade do longa tente lidar com o drama da personagem com dignidade, nem o apuro pl\u00e1stico \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12928 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WELCOME-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WELCOME-203x300.jpg 203w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WELCOME-691x1024.jpg 691w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WELCOME-768x1138.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WELCOME.jpg 970w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><strong>Welcome to Chechnya<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\nidem, David France, 2020<\/p>\n<p>\u00c9 comum se avaliar a qualidade de um document\u00e1rio mais pela pertin\u00eancia e a import\u00e2ncia de seu tema do que por suas capacidades de constru\u00e7\u00e3o a partir do registro. Mas, se algu\u00e9m quiser fazer isso no caso de &#8220;Welcome do Chechnya&#8221;, \u00e9 bem f\u00e1cil de entender o porqu\u00ea. A simples exist\u00eancia desse filme \u00e9 um ato pol\u00edtico e, num mundo onde as liberdades individuais s\u00e3o cada vez mais massacradas, \u00e9 relevante agir. O filme de David France documenta o trabalho de um grupo de volunt\u00e1rios para resgatar, abrigar e ajudar a homens e mulheres gays deixarem a Chech\u00eania, uma rep\u00fablica russa onde os homossexuais s\u00e3o v\u00edtimas de uma persegui\u00e7\u00e3o cultural, hist\u00f3rica e violenta &#8212; feita de maneira escancarada &#8212; e que terminou muitas e muitas vezes em mortes e desaparecimentos. France acompanhou alguns destes resgates e seus desdobramentos, o que transforma o document\u00e1rio muitas vezes num filme de a\u00e7\u00e3o, mas estabelece o contexto em que a intoler\u00e2ncia acontece, patrocinada pelo governo de extrema direita de Ramzan Kadyrov, um gerente de time de futebol convertido em l\u00edder local. Se o formato \u00e9 bastante tradicional, muito televisivo, inclusive, o impacto \u00e9 enorme. O por\u00e9m &#8212; e \u00e9 um grande por\u00e9m &#8212; \u00e9 que, se registra a viol\u00eancia para denunci\u00e1-la, o diretor faz isso de uma forma igualmente violenta: n\u00e3o poupa o espectador de cenas de ataques e agress\u00f5es, inclusive sexuais, sob o pretexto da dela\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o \u00e9tica aparece forte, embora haja o cuidado de modificar digitalmente os rostos de todas as v\u00edtimas. \u00c9, sem d\u00favida, um trabalho essencial, mas que levanta uma velha quest\u00e3o: afinal, qual o limite da exposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>(+)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lista com todos os filmes que vi na Mostra de 2020 comentados aqui no blog<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Lista com todo os filmes da sele\u00e7\u00e3o j\u00e1 vistos no Letterboxd<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas:<\/strong> a 44\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo acontece online a partir de <strong>22 de outubro<\/strong> e vai at\u00e9 dia <strong>4 de novembro<\/strong>. As informa\u00e7\u00f5es detalhas sobre o evento e sobre cada produ\u00e7\u00e3o exibida est\u00e3o no <strong>site da Mostra<\/strong>. A maior parte dos filmes ser\u00e1 exibida na plataforma <strong>Mostra Play<\/strong>, criada para o evento. Cada filme vai custar <strong>R$ 6<\/strong> e pode ser comprado na pr\u00f3pria plataforma com os cart\u00f5es de cr\u00e9dito Visa e Mastercard. A compra \u00e9 de <strong>um filme por vez<\/strong> e ser\u00e1 liberada \u00e0 meia-noite e um <strong>do dia 21 para o dia 22<\/strong>. Quase todos os filmes j\u00e1 poder\u00e3o ser adquiridos no primeiro dia. Alguns s\u00f3 entram na segunda semana. A partir da data da compra, voc\u00ea tem 3 dias pra dar o play e, a partir do momento em que come\u00e7a a ver o filme, tem 24 horas para terminar de assisti-lo. O longa &#8220;Casa de Antiguidades&#8221; vai ser exibido exclusivamente no Belas a la Carte. A compra deste filme ser\u00e1 nesta plataforma pelo mesmo valor. N\u00e3o \u00e9 preciso ser assinante. Quinze filmes podem ser vistos gratuitamente na plataforma <strong>Sesc Digital<\/strong> e outros quinze ser\u00e3o disponibilizados tamb\u00e9m de gra\u00e7a no <strong>SP Cine Play<\/strong>.<\/p>\n<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt;&gt; Come\u00e7a aqui minha cobertura da 44\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo, a vig\u00e9sima primeira da qual eu participo deste festival que definitivamente mudou minha vida. A ideia \u00e9 fazer posts com textos, maiores ou menores, de alguns dos filmes que eu for assistindo. 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