{"id":25,"date":"2026-05-22T00:24:14","date_gmt":"2026-05-22T03:24:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/olhar-de-cinema-2021\/"},"modified":"2026-05-22T00:24:14","modified_gmt":"2026-05-22T03:24:14","slug":"olhar-de-cinema-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/olhar-de-cinema-2021\/","title":{"rendered":"Olhar de Cinema 2021"},"content":{"rendered":"<p>Acontece de 6 a 14 de outubro, um dos melhores festivais do Brasil, o Olhar de Cinema. A edi\u00e7\u00e3o de 2021, a exemplo da que aconteceu no ano passado, ser\u00e1 toda online e os filmes podem ser comprados por R$ 5 cada. S\u00e3o duas exibi\u00e7\u00f5es por filme (per\u00edodos de 24h, das 6h \u00e0s 5h59). Chequem as datas de cada filme. Os longas de abertura e encerramento t\u00eam hor\u00e1rios diferentes e uma s\u00f3 exibi\u00e7\u00e3o, das 20h \u00e0s 19h59.<\/p>\n<p>&#8220;Um C\u00e9u T\u00e3o Nublado&#8221; \u2605\u2605\u2605\u00bd, de \u00c1lvaro F. Pulpeiro<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o talvez nem seja t\u00e3o justa, mas \u201cUm C\u00e9u T\u00e3o Nublado\u201d me remeteu aos document\u00e1rios que Werner Herzog fez nos anos 70, especialmente \u201cFata Morgana\u201d. Em ambos os casos, os diretores tentam encontrar as imagens certas para retratar n\u00e3o um fato ou um personagem, mas um sentimento, uma sensa\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que o doc de Herzog tinha ambi\u00e7\u00f5es mais filos\u00f3ficas, enquanto o longa de \u00c1lvaro F. Pupeiro pretende traduzir um pa\u00eds que teve a hist\u00f3ria engolida pela explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, a Venezuela. Por ser sobre um lugar, ou um sentimento em rela\u00e7\u00e3o a ele, o filme passa reto pelos personagens que encontra, que nunca s\u00e3o protagonistas, mas pe\u00e7as do cen\u00e1rio. Pupeiro estar mais interessado no retrato, em imagens que simbolizam elementos de seu discurso, nos ecos dos discursos de Nicol\u00e1s Maduro ouvidos no r\u00e1dio. Por isso tamb\u00e9m, ele tenha um interesse especial pela fotografia, sempre bel\u00edssima, que combinada \u00e0 trilha atmosf\u00e9rica ajuda a compor um quadro melanc\u00f3lico sobre uma na\u00e7\u00e3o que perdeu o interesse pelo indiv\u00edduo e que parece s\u00f3 ver \u00e0 frente uma plataforma de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>&#8220;Confer\u00eancia&#8221; \u2605\u2605\u2605, de Ivan I. Tverdovsky<\/p>\n<p>\u201cConfer\u00eancia\u201d \u00e9 sobre seguir em frente e encarar velhos fantasmas. Pode parecer clich\u00ea, mas \u00e9 exatamente isso que prop\u00f5e Ivan I. Tverdovsky \u2014 e no mais \u00f3bvio dos formatos, o da conversa. Grande parte do filme \u00e9 o encontro, a confer\u00eancia do t\u00edtulo, de pessoas que sobreviveram a um ataque terrorista. O diretor contrap\u00f5e seus depoimentos, passeando por traumas, saudades e arrependimentos, e, pouco a pouco, vai revelando os segredos de sua protagonista, a monja que chega a Moscou para coordenar o evento e que carrega controv\u00e9rsias que a afastaram da filha. Impressiona a interpreta\u00e7\u00e3o de Natalya Pavlenko, cuja personagem aparentemente passiva se transforma ao longo do filme e aos olhos do espectador. \u00c9 um filme de texto, mas que encontra nos detalhes v\u00e1rias imagens realmente cinematogr\u00e1ficas, al\u00e9m de, por outro lado, reviver o epis\u00f3dio da crise de ref\u00e9ns no Teatro Dubrovka filmando este encontro de sobreviventes num teatro, dobrando nossa condi\u00e7\u00e3o de espectadores.<\/p>\n<p>&#8220;Deus Tem AIDS&#8221; \u2605\u2605\u2605, de Fabio Leal e Gustavo Vinagre<\/p>\n<p>&#8220;Deus Tem AIDS&#8221; \u00e9 um t\u00edtulo mais provocativo do que o filme que ele batiza e isso n\u00e3o \u00e9 exatamente uma cr\u00edtica. O document\u00e1rio de Fabio Leal e Gustavo Vinagre se vale da imensa liberdade que este t\u00edtulo vende para fazer um retrato essencial de pessoas que convivem com o HIV, um assunto ainda hoje mitificado e pouco debatido. A maior parte dos personagens escolhidos pela dupla \u00e9 de pessoas de uma ou de outra maneira ligadas \u00e0 arte, o que fala mais pr\u00f3ximo do universo dos diretores e garante uma particularidade especial ao projeto. \u00c9 um filme sobre olhar para os seus e defend\u00ea-los e isso tem um m\u00e9rito grande. O que deixa a desejar \u00e9 que a provoca\u00e7\u00e3o que o document\u00e1rio anuncia em seu t\u00edtulo n\u00e3o tem tanto desenvolvimento, como se a pr\u00f3pria feitura deste filme j\u00e1 fosse um ato revolucion\u00e1rio em si, o que n\u00e3o deixa de ser verdade, mesmo quando assume um formato mais acad\u00eamico. Os momentos mais ousados chegam somente na reta final, em duas performances bastante subversivas &#8212; a primeira em especial extremamente e intencionalmente inc\u00f4moda, cuja agressividade chama aten\u00e7\u00e3o para a sexualidade de quem convive com o HIV. Independentemente de se funcionam para o espectador, s\u00e3o nestes momentos que o filme realmente oferece a radicalidade que vende.<\/p>\n<p>&#8220;O Dia da Posse&#8221; \u2605\u2605, de Allan Ribeiro<\/p>\n<p>Mal nasceu, o filme de quarentena precisa ser reinventado. Nem tudo, nem todos valem ou justificam um filme. Entendo que o objetivo aqui \u00e9 desvendar uma gera\u00e7\u00e3o que surgiu atr\u00e1s da tela de um computador, que se construiu individualista por causa de um progressivo e inevit\u00e1vel processo de isolamento do mundo, mas se o formato espont\u00e2neo pero no mucho prop\u00f5e uma suposta liberdade criativa, ele tamb\u00e9m deixa muito clara a superficialidade de Brendo como personagem e do filme como obra. No fim das contas, estamos falando de uma gera\u00e7\u00e3o vazia, poser, que se agarra ao discurso das minorias, mas parece n\u00e3o saber muito bem o que fazer com isso? Parece pouco.<\/p>\n<p>&#8220;Esqui&#8221; \u2605\u2605\u2605\u00bd, de Manque la Banca<\/p>\n<p>A mistura de formatos, texturas e registros garante uma vis\u00e3o \u00fanica e multifacetada de Bariloche, que n\u00e3o apenas documenta a vida real para al\u00e9m do cart\u00e3o postal da esta\u00e7\u00e3o de esqui como oferece um passeio s\u00e9rio, mas bem humorado pela hist\u00f3ria de massacre \u00e9tnico, pela cultura e pela mitologia da regi\u00e3o num exerc\u00edcio de linguagem bem particular. Manque la Banca faz quest\u00e3o de bagun\u00e7ar suas expectativas reinventar seu filme o tempo todo, indo do document\u00e1rio ao filme experimental, passando sem pudores pelo v\u00eddeo amador.<\/p>\n<p>&#8220;Estilha\u00e7os&#8221; \u2605\u2605\u00bd, de Natalia Garayalde<\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 impressionantemente rico o material que a diretora tem em m\u00e3os \u2014 material que ela mesma e seus familiares registraram quando ela ainda era uma crian\u00e7a. Segundo, \u00e9 bem interessante tentar articular uma narrativa a partir destes registros \u2014 o filme tenta mostrar o impacto da explos\u00e3o de uma f\u00e1brica de muni\u00e7\u00e3o na cidade natal da diretora. Mas em algum momento o suporte n\u00e3o consegue abrigar todo o conte\u00fado e o filme n\u00e3o sabe muito bem para onde ir.<\/p>\n<p>&#8220;A Mat\u00e9ria Noturna&#8221; \u2605\u2605\u00bd, de Bernard Lessa<\/p>\n<p>A primeira meia hora do filme, que se dedica a acompanhar a personagem de Shirlene Paix\u00e3o, \u00e9 bem feliz em retratar uma mulher que n\u00e3o sabe que dire\u00e7\u00e3o seguir, nem se quer seguir alguma dire\u00e7\u00e3o, numa jornada meio inconsciente de auto-isolamento que aos poucos vai ganhando um aspecto de terror psicol\u00f3gico. A chegada do outro protagonista, Welket Bungu\u00e9, propositadamente desequilibra o filme, mas o efeito n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o eficiente como parece planejado: os dilemas da outra personagem, que pareciam t\u00e3o promissores, s\u00e3o interrompidas t\u00e3o bruscamente quanto o envolvimento dos dois, como se o filme abrisse m\u00e3o do que tinha de mais interessante. Esse segundo filme que surge depois traz quest\u00f5es v\u00e1lidas, mas o que se perdeu nunca volta com a mesma for\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Mirador&#8221; \u2605\u2605\u2605, de Bruno Costa<\/p>\n<p>A primeira exibi\u00e7\u00e3o de &#8220;Mirador&#8221; aconteceu na Mostra Tiradentes, no come\u00e7o do ano, onde o longa de Bruno Costa foi o t\u00edtulo mais &#8220;esquisito&#8221; em cartaz. Esquisito justamente por ser narrativa e estilisticamente bem mais formal do que seus colegas de festival. Rodeado por experimentos de linguagem (alguns que n\u00e3o deram t\u00e3o certo assim), a simplicidade deste filme chamou a aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 o primeiro longa-metragem do diretor, que aposta no material humano e num cinema mais tradicional, para dar corpo a discuss\u00f5es contempor\u00e2neas. Bruno Costa contra a hist\u00f3ria de Maycon, um boxeador que, em meio ao sonho de voltar aos ringues, se v\u00ea obrigado a assumir o papel que sempre evitou, o de pai. Um argumento visto muitas vezes, mas que, nesta vers\u00e3o brasileira, ganha perspectivas bem interessantes: &#8220;Mirador&#8221; \u00e9 um filme com p\u00e9 no ch\u00e3o, que nunca esquece que seu protagonista \u00e9 um homem nordestino, negro, pobre, que vive do subemprego, e que agora precisa lidar com uma quest\u00e3o fundamental aos dias de hoje: o papel e poder que a mulher adquiriu na sociedade. A ex-namorada de Maycon decidiu ir embora porque, entre outras coisas, ele, apesar das boas inten\u00e7\u00f5es, nunca tomou para si responsabilidades. O roteiro, escrito pelo diretor e por William Biagioli, parece querer provocar o espectador: a ex nunca \u00e9 tratada como vil\u00e3 e a mensagem \u00e9 mais ou menos que os efeitos das transforma\u00e7\u00f5es sociais chegam para todos, inclusive aqueles de quem os outros problemas j\u00e1 renderiam filmes inteiros. \u00c9 uma sofistica\u00e7\u00e3o de pensamento camuflada numa narrativa linear acompanhada por uma c\u00e2mera documental. Edilson Silva tem uma das melhores interpreta\u00e7\u00f5es do ano e \u00e9 fundamental para dar uma sensibilidade pouco \u00f3bvia ao personagem que, al\u00e9m de sustentar a si mesmo e \u00e0 filha, \u00e9 obrigado a mergulhar num universo feminino e infantil com o qual n\u00e3o tem qualquer intimidade.<\/p>\n<p>&#8220;O Protetor do Irm\u00e3o&#8221; \u2605\u2605\u2605, de Ferit Karahan<\/p>\n<p>\u201cO Protetor do Irm\u00e3o\u201d vem de uma tradi\u00e7\u00e3o do cinema de cunho social em que um dos principais objetivos \u00e9 a den\u00fancia de uma situa\u00e7\u00e3o. No caso, o filme de Ferit Karahan quer mostrar a rotina de brutalidade num internato para meninos de origem curda na Turquia. O diretor convida o espectador para acompanhar um dia-a-dia cheio de pequenos epis\u00f3dios de agressividade, intoler\u00e2ncia e puni\u00e7\u00f5es, o que faz com menos manique\u00edsmo do que o normal, assumindo um tom documental, economicamente dram\u00e1tico, mesmo que os personagens sejam retratados de maneira um tanto caricata. Mas Karahan equilibra esse tour de horror com o retrato da bela amizade entre Yusuf e Memo, que evoca alguns temas e tons do cinema iraniano, emprestando ao filme um tom humanista que contrasta com o resto. Quando se estabelece a situa\u00e7\u00e3o-chave do roteiro, a influ\u00eancia parece estar mais para os cineastas romenos e suas investiga\u00e7\u00f5es dos processos burocr\u00e1ticos que explicam elementos da trama. S\u00e3o tr\u00eas caminhos interessantes porque, em alguma medida, s\u00e3o bem diferentes entre si, o que d\u00e1 ao filme um vigor particular. O problema \u00e9 que a explica\u00e7\u00e3o para esta situa\u00e7\u00e3o-chave \u00e9 lan\u00e7ada nos \u00faltimos minutos de filme, numa sequ\u00eancia de di\u00e1logos cheia de revela\u00e7\u00f5es, sem muita prepara\u00e7\u00e3o, o que se op\u00f5e \u00e0 estrutura lenta e anti-clim\u00e1tica do projeto. Al\u00e9m disso, a \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d em si toma um rumo esquisito, que se afasta da proposta inicial da den\u00fancia e se aproxima de um retrato do acaso. Acho que vou mudar essa cota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Rio Doce&#8221; \u2605\u2605\u2605, de Fellipe Fernandes<\/p>\n<p>Quem nasceu no eixo Rio-S\u00e3o Paulo, dificilmente vai conseguir entender o que significa ouvir seu sotaque num filme. Embora o cinema nordestino, especialmente o pernambucano, tenha dado muitos frutos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, nem sempre o cinema mais narrativo, que mira mais no naturalismo, consegue escapar do formato de com\u00e9dia popularesca. \u201cRio Doce\u201d \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o a essa regra: \u00e9 um drama simples sobre um homem de origem simples que vive enforcado pela realidade e descobre sua origem somente j\u00e1 adulto. Fellipe Fernandes, em seu primeiro longa, mant\u00e9m o tom baixo, mas n\u00e3o se poupa de cutucar o cinema social: alfineta a sociedade branca colonialista e educada recifense, nordestina, expondo sua superficialidade e sua fragilidade, ao mesmo tempo que esta sociedade paga de \u00e9tica. Nos mostra tamb\u00e9m um personagem silencioso que carrega nas costas o peso das dificuldades financeiras, do fracasso como marido, da aus\u00eancia como pai. O \u201cevento\u201d do filme, que seria central para o desenvolvimento da trama em qualquer outro projeto, \u00e9 apenas um detalhe novo na rotina do protagonista, que desarruma mais um pouco sua vida e que, mais que qualquer coisa, exp\u00f5e a rela\u00e7\u00e3o entre classes no Nordeste do Brasil. Num momento em que a aten\u00e7\u00e3o aos personagens e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre eles est\u00e1 meio desgastada na narrativa tradicional do cinema brasileiro, \u201cRio Doce\u201d nos mostra um cuidado raro no retrato de um homem negro, pobre, cujos dramas v\u00e3o mais al\u00e9m do que o clich\u00ea do envolvimento com a criminalidade. Ela est\u00e1 presente, como um fantasma, mas o personagem vivido bem dignamente pelo rapper Okado do Canal tem muito mais com o que se preocupar. Faz um par bem interessante com \u201cMirador\u201d, outro belo filme sobre um nordestino.<\/p>\n<p>&#8220;Rol\u00ea &#8211; Hist\u00f3rias dos Rolezinhos&#8221; \u2605\u2605\u2605, de Vladimir Seixas<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno dos rolezinhos \u00e9 o ponto de partida de um document\u00e1rio bem mais ambicioso. A partir das rea\u00e7\u00f5es de jovens negros, que come\u00e7aram a entender que poderiam devolver \u00e0 sociedade o preconceito que recebem como manifesta\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, marca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio e a um simples \u201ceu estou aqui\u201d, Vladimir Seixas encontra um caminho do meio entre o document\u00e1rio social e o filme popular para registrar a discrimina\u00e7\u00e3o di\u00e1ria vivida pelas popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas. Come\u00e7a mostrando a repercuss\u00e3o dos rolezinhos na imprensa e depois vai decifrando aqueles movimentos, encontrando personagens, at\u00e9 chegar aos novos formatos de protesto. Embora demore um pouco para estabelecer uma linguagem, tem um discurso t\u00e3o envolvente que coopta o espectador desde os primeiros minutos.<\/p>\n<p>&#8220;O Sonho do In\u00fatil&#8221; \u2605\u2605\u2605\u00bd, de Jos\u00e9 Marques de Carvalho Jr<\/p>\n<p>A beleza de um filme pode estar em v\u00e1rios lugares: no cuidado com as imagens; na maneira de apresentar e relacionar seus personagens; na fluidez com que uma narrativa se faz envolvente para o espectador. \u201cO Sonho do In\u00fatil\u201d, contrariando todas as expectativas que um document\u00e1rio sobre um grupo que fazia v\u00eddeos est\u00fapidos poderia carregar, traz quase todas estas caracter\u00edsticas. Escrito e dirigido por Jos\u00e9 Marques de Carvalho Jr, esp\u00e9cie de cabe\u00e7a da equipe, o filme sabe como mergulhar nas vidas de cada um dos integrantes da trupe, navegando n\u00e3o apenas por suas trajet\u00f3rias depois que eles se separaram, mas buscando entender as realidades familiares e sociais que constru\u00edram suas vidas. \u00c9 realmente tocante como o diretor consegue capturar a alma de cada um de seus amigos e mostrar o sentimento que existe entre eles, mesmo depois de anos afastados. Mas este n\u00e3o \u00e9 apenas um filme de afeto, tamb\u00e9m \u00e9 uma obra que registra a vida na periferia com dignidade e evitando um olhar mais clich\u00ea. Em um determinado momento, um personagem diz que \u201cn\u00e3o h\u00e1 plano B, o essencial \u00e9 o agora\u201d. E essa frase, que falava de sua carreira musical, de repente reflete a hist\u00f3ria de todos aqueles garotos, cujos v\u00eddeos arriscados eram nada mais do que um maneira de marcar territ\u00f3rio, chamar aten\u00e7\u00e3o, ser vistos. O diretor \u00e9 muito inteligente na maneira como costura a narrativa a partir dos dispositivos simples que t\u00eam em m\u00e3os: \u201cO Sonho do In\u00fatil\u201d sempre parece um filme \u201ccaseiro\u201d, mas nunca um filme amador.<\/p>\n<p>&#8220;Tzarevna Descamada&#8221; \u2605\u2605, de Uldus Bakhtiozina<\/p>\n<p>O bom gosto visual e a compet\u00eancia para criar um ambiente de del\u00edrio s\u00e3o os pontos fortes de &#8220;Tzarevna Descamada&#8221;, mas o filme da russa Uldus Bakhtiozina tem uma certa dificuldade em encontrar algum tipo de densidade em sua brincadeira. A sofistica\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o de arte e da fotografia morre nela mesma, como se Bakhtiozina fosse incapaz de dar corpo \u00e0 fantasia como Tim Burton ou mesmo Guy Maddin. Vazio, mas bonito que s\u00f3.<\/p>\n<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acontece de 6 a 14 de outubro, um dos melhores festivais do Brasil, o Olhar de Cinema. A edi\u00e7\u00e3o de 2021, a exemplo da que aconteceu no ano passado, ser\u00e1 toda online e os filmes podem ser comprados por R$ 5 cada. S\u00e3o duas exibi\u00e7\u00f5es por filme (per\u00edodos de 24h, das 6h \u00e0s 5h59). Chequem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}