{"id":31,"date":"2026-05-22T00:24:48","date_gmt":"2026-05-22T03:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-8\/"},"modified":"2026-05-22T00:24:48","modified_gmt":"2026-05-22T03:24:48","slug":"mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-8\/","title":{"rendered":"Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo 2020: post 8"},"content":{"rendered":"<p><strong>&gt;&gt;<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13098 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-Cac\u0327adores-de-Coelhos-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-Cac\u0327adores-de-Coelhos-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-Cac\u0327adores-de-Coelhos-683x1024.jpg 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-Cac\u0327adores-de-Coelhos-768x1152.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-Cac\u0327adores-de-Coelhos-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Os-Cac\u0327adores-de-Coelhos.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Os Ca\u00e7adores de Coelhos<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\n<em>The Rabbit Hunters<\/em>, Guy Maddin, Evan Johnson e Galen Johnson, 2020<\/p>\n<p>H\u00e1 15 anos, Guy Maddin dirigiu um curta-metragem sobre o centen\u00e1rio de um cineasta. No caso, o homenageado era Roberto Rossellini, pioneiro do neorrealismo. Sua parceira nessa empreitada foi a filha dele, Isabella, que o interpretava em \u201cMeu Pai Faz 100 Anos\u201d. Agora, o canadense se re\u00fane com a atriz para comemorar um s\u00e9culo de outro diretor. \u201cOs Ca\u00e7adores de Coelhos\u201d une on\u00edrico, est\u00e9tico e mem\u00f3ria, caracter\u00edsticas tanto do cinema de Maddin quanto do retratado da vez, Federico Fellini, que ganha vida na pele de Isabella Rossellini. \u00c9 um ensaio po\u00e9tico em que o cineasta, mais uma vez acompanhado de Galen e Evan Johnson (com quem divide seus \u00faltimos projetos) exercita suas obsess\u00f5es de sempre: manipula\u00e7\u00f5es de imagens, texturas, montagem e som. O efeito, embora plasticamente bonito, n\u00e3o tem a for\u00e7a de outros filmes do diretor e parece muito distante do pr\u00f3prio Fellini. Se em \u201cO Adivinhador\u201d, tamb\u00e9m exibido nesta edi\u00e7\u00e3o da Mostra, o formato curto parecia ser um espa\u00e7o adequado para as experimenta\u00e7\u00f5es do diretor, este filme prova que\u00a0 esta n\u00e3o \u00e9 uma verdade absoluta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13099 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Dia-Com-Jerusa-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Dia-Com-Jerusa-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Dia-Com-Jerusa-683x1024.jpg 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Dia-Com-Jerusa-768x1152.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Dia-Com-Jerusa-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Dia-Com-Jerusa.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Um Dia Com Jerusa<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Viviane Ferreira, 2020<\/p>\n<p>Cada vez mais mulheres negras conseguem estrear como diretoras de longas-metragens no Brasil. Um espa\u00e7o renegado durante muito tempo e que come\u00e7a a ser ocupado. Viviane Ferreira se junta a este time com \u201cUm Dia com Jerusa\u201c, vers\u00e3o longa de seu curta de alguns anos atr\u00e1s. A cineasta, que tamb\u00e9m assina o roteiro, aborda v\u00e1rios aspectos da heran\u00e7a cultural afro-brasileira, desde comportamentos sociais at\u00e9 religiosidade, discute o choque de gera\u00e7\u00f5es dentro deste contexto e tenta incorporar como elementos cinematogr\u00e1ficos algumas destas abordagens. Existe uma atmosfera aberta para que real e espiritual convivam com harmonia. \u00c9 um filme cheio de boas ideias, de tentativas de reflex\u00e3o e discuss\u00e3o importantes, mas que nem sempre consegue materializar isso na pr\u00e1tica. O roteiro tem algumas fragilidades que desdramatizam a situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 interessante perceber que a cineasta procura criar uma linguagem, utilizando inserts de mulheres negras em still, mas falta um pulso maior para administrar as encena\u00e7\u00f5es. O discurso \u00e9 claro e consistente, mas estes pequenos sen\u00f5es tira um pouco do equil\u00edbrio do desfecho. As inten\u00e7\u00f5es est\u00e3o todas ali, mas nem sempre ganham o acabamento que precisam.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13100 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Em-Meus-Sonhos-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Em-Meus-Sonhos-210x300.jpg 210w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Em-Meus-Sonhos.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><strong>Em Meus Sonhos<\/strong> \u2605\u00bd<br \/>\n<em>Bir D\u00fcs G\u00f6rd\u00fcm<\/em>, Murat \u00c7eri, 2020<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia inicial e at\u00e9 promissora. Parece que o filme vai caminhar para o retrato delicado da rotina de uma fam\u00edlia no interior da Turquia, destacando atividades banais com uma fotografia que, embora busque beleza o tempo todo, tenta mostrar esse cotidiano por outros \u00e2ngulos. Ledo engano. \u201cEm Meus Sonhos\u201d n\u00e3o tem nada de sutileza. \u00c9 um melodrama afetado que tenta criar como\u00e7\u00e3o a cada 5 minutos, principalmente por seu retrato pasteurizado de uma vila, de seus moradores e seus dramas. Murat \u00c7eri reserva um generoso espa\u00e7o para um Tonho da Lua local e dirige todas as cenas em que ele aparece ressaltando sua pureza absoluta, sem nunca conseguir dar qualquer profundidade ao personagem. Esse olhar supostamente po\u00e9tico tamb\u00e9m \u00e9 destinado ao pequeno protagonista, o menino que perdeu os pais no acidente de carro e que \u00e9 criado pelos av\u00f3s. Embora as cenas que ele divide com as outras crian\u00e7as do lugar sejam um pouco melhores do que o conjunto, o diretor se apoia demais nesta busca pela ingenuidade como se tivesse chegado \u00e0 ess\u00eancia daquele lugar e daquelas pessoas. \u00c9 o t\u00edpico produto que passeia por \u201ccircuitos de arte\u201d ao redor do mundo com seu retrato envernizado de uma realidade pretensamente l\u00edrica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13101 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Exi\u0301lio-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Exi\u0301lio-212x300.jpg 212w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Exi\u0301lio-723x1024.jpg 723w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Exi\u0301lio-768x1087.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Exi\u0301lio-1085x1536.jpg 1085w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Exi\u0301lio.jpg 1380w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><strong>Ex\u00edlio<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Exil<\/em>, Visar Morina, 2020<\/p>\n<p>Visar Morina nasceu no Kossovo, mas mora na Alemanha &#8212; e \u00e9 desta experi\u00eancia que ele tira as ideias tanto para a tem\u00e1tica quanto para a atmosfera cinematogr\u00e1fica que constr\u00f3i em \u201cEx\u00edlio\u201d. O \u00f3timo Misel Maticevic, alem\u00e3o de ascend\u00eancia croata, vive um imigrante do pa\u00eds de origem do diretor que construiu sua vida em terras germ\u00e2nicas: casou, formou fam\u00edlia, tem um emprego aparentemente est\u00e1vel, encontrou at\u00e9 uma amante. O problema \u00e9 que o protagonista, at\u00e9 ent\u00e3o confort\u00e1vel em sua vida cotidiana, come\u00e7a a se sentir rejeitado por quem o cerca. Mais do que isso, o ambiente em torno dele ganha ares cada vez mais hostis e violentos que mexem com a pr\u00f3pria sanidade do personagem. Morina inicia assim uma jornada em n\u00edveis pr\u00e1tico e psicol\u00f3gicos, que reflete tanto sobre a persegui\u00e7\u00e3o provocada pela xenofobia como sobre a fantasmagoria do ex\u00edlio, palavra que n\u00e3o por acaso batiza seu filme. Para o diretor, a condi\u00e7\u00e3o de imigrante sempre ser\u00e1 um peso para quem teve que buscar outro pa\u00eds, outra cultura, outra identidade por quest\u00f5es de sobreviv\u00eancia. \u00c9 um an\u00e1lise cruel sobre o n\u00e3o-pertencimento, que atravessa o campo \u00edntimo e o campo externo como se essa &#8220;condi\u00e7\u00e3o&#8221; fosse uma pris\u00e3o e nunca um pouso para a liberdade. O cineasta inicia seu filme com o retrato frio e detalhado do dia-a-dia do protagonista, heran\u00e7a do cinema contempor\u00e2neo alem\u00e3o que ele aplica \u00e0 realidade que quer estabelecer. As presen\u00e7as de Sandra H\u00fcller e Rainer Bock, atores renomados, ajudam a criar esse ambiente. O caminho seguinte \u00e9 bem interessante: Morina converte seu filme num thriller psicol\u00f3gico, onde o preconceito real se confunde ou acentua o trauma do \u201cestrangeiro\u201d. Embora namore com o cinema denuncista e fatalista que surgiu aos cachos nas \u00faltimas d\u00e9cadas em v\u00e1rias partes do mundo, a rigidez do planos e tom s\u00e9rio conseguem manter v\u00e1lida a pertin\u00eancia da discuss\u00e3o que o diretor provoca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13102 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ge\u0302nero-Pan-200x300.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ge\u0302nero-Pan-200x300.png 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ge\u0302nero-Pan-683x1024.png 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ge\u0302nero-Pan-768x1152.png 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Ge\u0302nero-Pan.png 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>G\u00eanero, Pan<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Genus, Pan<\/em>, Lav Diaz, 2020<\/p>\n<p>Como estudo social de um pa\u00eds corrompido, \u00e0 heran\u00e7a de um governo ditatorial, que reflete na corrup\u00e7\u00e3o das pessoas, \u201cG\u00eanero, Pan\u201c \u00e9 um tanto decepcionante. Lav Diaz j\u00e1 mergulhou muito mais profundamente na hist\u00f3ria e na pol\u00edtica das Filipinas em v\u00e1rios de seus filmes. Aqui, at\u00e9 o ponto de vista parece um pouco cansado, e nunca desenvolvido com todas as camadas que j\u00e1 vimos em trabalhos anteriores (talvez o diretor precise mesmo das longas horas de seus filmes mais celebrados para chegar \u00e0 reflex\u00e3o que almeja &#8212; este aqui tem &#8220;apenas&#8221; 2h37, uma raridade em sua carreira). A jornada dos personagens pela floresta, onde supostamente sua conex\u00e3o com a natureza deveria trazer \u00e0 tona comportamentos mais instintivos e selvagens, \u00e9 t\u00edmida se pensarmos nas viagens \u201cmetaf\u00edsicas\u201c de \u201cDo Que Vem Antes\u201c e \u201cCan\u00e7\u00e3o para um Doloroso Mist\u00e9rio\u201d. Este movimento a caminho do primitivo est\u00e1 presente, mas merecia ser mais desenvolvido. Diaz ainda \u00e9 um grande esteta, mesmo que o rigor de suas imagens aqui n\u00e3o seja t\u00e3o vigoroso quanto j\u00e1 vimos. Este novo trabalho, pelo qual foi premiado como mais indicado diretor numa se\u00e7\u00e3o paralela do Festival de Veneza, recicla seus velhos temas e a constru\u00e7\u00e3o detalhada e imersiva que empresta a suas narrativas. \u00c9 sempre um cinema de resist\u00eancia, pol\u00edtico e de an\u00e1lise social, mas o fluxo de trabalho do diretor, que produz tantos e t\u00e3o longos filmes todos os anos, precisa de uma renova\u00e7\u00e3o para fugir de seu pr\u00f3prio lugar comum.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13114 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pai-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pai-210x300.jpg 210w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pai-717x1024.jpg 717w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pai-768x1097.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pai-1075x1536.jpg 1075w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pai.jpg 1380w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><strong>Pai<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\n<em>Otac<\/em>, Srdan Golubovic, 2020<\/p>\n<p>A \u00faltima sequ\u00eancia de \u201cPai\u201c \u00e9 bastante simb\u00f3lica: a reconstru\u00e7\u00e3o lenta e literal de um lar. \u00c9 um desfecho um pouco \u00f3bvio, mas muito bem filmado e bastante coerente com a trajet\u00f3ria do protagonista. A quest\u00e3o \u00e9 que essa resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 provocada pelo ap\u00eandice de uma s\u00e9rie de trag\u00e9dias pessoais que o s\u00e9rvio Srdan Golubovic imp\u00f5e ao personagem. \u00c9 o golpe final, que deixa claro como o diretor se relaciona com o mundo e como quer represent\u00e1-lo. Sob o pretexto de uma defesa humanista daquele homem, o filme elenca uma quantidade t\u00e3o grande de injusti\u00e7as e reveses que a como\u00e7\u00e3o pretendida vai, aos poucos, diluindo. A jornada do protagonista para recuperar seus filhos, apesar de nos apresentar as diferentes paisagens do interior da S\u00e9rvia, o que poderia ser uma reflex\u00e3o sobre as ru\u00ednas de um pa\u00eds que passou por tantas guerras, parece muito mais um pedido de comisera\u00e7\u00e3o do que uma den\u00fancia em si. A cena dos lobos (bobos) n\u00e3o tem um d\u00e9cimo do efeito planejado. A portuguesa Ana Rocha de Sousa, tamb\u00e9m este ano, tratou da mesma quest\u00e3o com um neorrealismo dardenniano que transformou \u201cListen\u201d num filme bem mais potente. E aquele \u00e9 um primeiro filme. O projeto de \u201cPai\u201d compromete at\u00e9 seus pontos fortes. Goran Bogdan d\u00e1 v\u00e1rias pistas de que \u00e9 um bom ator, mas, como \u00e9 dirigido para entregar uma express\u00e3o \u00fanica, nem isso se sustenta muito bem. As inten\u00e7\u00f5es est\u00e3o todas ali, mas, na maioria das vezes, longe do lugar, do tom e do volume certos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13115 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/STARDUST-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/STARDUST-203x300.jpg 203w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/STARDUST-692x1024.jpg 692w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/STARDUST.jpg 730w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><strong>Stardust<\/strong> \u2605\u00bd<br \/>\nidem, Gabriel Range, 2020<\/p>\n<p>O maior problema do filme n\u00e3o \u00e9 nem sua natureza ap\u00f3crifa nem o fato de n\u00e3o ter uma m\u00fasica sequer de David Bowie &#8212; este \u00faltimo \u00e9 um problema real, mas parece at\u00e9 pequeno perto do conjunto. O pecado mais grave de &#8220;Stardust&#8221; \u00e9 fazer o retrato idiotizado de uma figura do porte da de seu personagem como se o longa fosse um coming of age tardio de um homem imaturo e assombrado por um grande trauma. S\u00e3o uma hora de meia de um lenga-lenga em looping que o diretor Gabriel Range conduz da maneira mais caricata e convencional poss\u00edvel sempre insinuando uma virada que, quando vem, dura segundos. Por falar em insinua\u00e7\u00e3o, a trilha sonora parece sempre mimetizar os acordes iniciais de v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es de Bowie, o que s\u00f3 aumenta a frustra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 cenas claramente inspiradas em &#8220;Bohemian Rhapsody&#8221; (como se isso fosse uma grande refer\u00eancia). Johnny Flynn \u00e9, possivelmente, o \u00fanico destaque. O bom ator de &#8220;Emma.&#8221; est\u00e1 escondido ali, mas muito bem escondido embaixo de perucas malamanhadas. A grande quest\u00e3o \u00e9: se a vontade de fazer um filme n\u00e3o autorizado era t\u00e3o grande, o efeito precisava ser t\u00e3o comportadinho?<\/p>\n<p><strong>(+)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lista com todos os filmes que vi na Mostra de 2020 comentados aqui no blog<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Lista com todo os filmes da sele\u00e7\u00e3o j\u00e1 vistos no Letterboxd<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas:<\/strong> a 44\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo acontece online a partir de <strong>22 de outubro<\/strong> e vai at\u00e9 dia <strong>4 de novembro<\/strong>. As informa\u00e7\u00f5es detalhas sobre o evento e sobre cada produ\u00e7\u00e3o exibida est\u00e3o no <strong>site da Mostra<\/strong>. A maior parte dos filmes ser\u00e1 exibida na plataforma <strong>Mostra Play<\/strong>, criada para o evento. Cada filme vai custar <strong>R$ 6<\/strong> e pode ser comprado na pr\u00f3pria plataforma com os cart\u00f5es de cr\u00e9dito Visa e Mastercard. A compra \u00e9 de <strong>um filme por vez<\/strong> e ser\u00e1 liberada \u00e0 meia-noite e um <strong>do dia 21 para o dia 22<\/strong>. Quase todos os filmes j\u00e1 poder\u00e3o ser adquiridos no primeiro dia. Alguns s\u00f3 entram na segunda semana. A partir da data da compra, voc\u00ea tem 3 dias pra dar o play e, a partir do momento em que come\u00e7a a ver o filme, tem 24 horas para terminar de assisti-lo. O longa &#8220;Casa de Antiguidades&#8221; vai ser exibido exclusivamente no Belas a la Carte. A compra deste filme ser\u00e1 nesta plataforma pelo mesmo valor. N\u00e3o \u00e9 preciso ser assinante. Quinze filmes podem ser vistos gratuitamente na plataforma <strong>Sesc Digital<\/strong> e outros quinze ser\u00e3o disponibilizados tamb\u00e9m de gra\u00e7a no <strong>SP Cine Play<\/strong>.<\/p>\n<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt;&gt; Os Ca\u00e7adores de Coelhos \u2605\u2605\u00bd The Rabbit Hunters, Guy Maddin, Evan Johnson e Galen Johnson, 2020 H\u00e1 15 anos, Guy Maddin dirigiu um curta-metragem sobre o centen\u00e1rio de um cineasta. No caso, o homenageado era Roberto Rossellini, pioneiro do neorrealismo. 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