{"id":38,"date":"2026-05-22T00:27:22","date_gmt":"2026-05-22T03:27:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-3\/"},"modified":"2026-05-22T00:27:22","modified_gmt":"2026-05-22T03:27:22","slug":"mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-3\/","title":{"rendered":"Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo 2020: post 3"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12955 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-ADIVINHADOR-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-ADIVINHADOR-214x300.jpg 214w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-ADIVINHADOR-731x1024.jpg 731w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-ADIVINHADOR-768x1076.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-ADIVINHADOR-1097x1536.jpg 1097w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/O-ADIVINHADOR.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><strong>O Adivinhador<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Stump the Guesser<\/em>, Evan Johnson, Galen Johnson, Guy Maddin, 2020<\/p>\n<p>O formato do curta-metragem cabe muito bem \u00e0s idiossincrasias de Guy Maddin. Seu cinema, onde as estripulias visuais, sobreposi\u00e7\u00f5es, exerc\u00edcios de montagem, dire\u00e7\u00e3o de arte e de fotografia rebuscadas est\u00e3o sempre em primeiro plano, pode se esgotar num longa, mas nos 20 minutos de \u201cO Adivinhador\u201d as experimenta\u00e7\u00f5es encontram um espa\u00e7o perfeito. A hist\u00f3ria do filme, dirigido em parceria com os irm\u00e3os Evan e Galen Johnson, se situa numa feira de variedades, ambiente meio onde esse intervalo entre o real e o m\u00edstico, que sempre se manifestam de alguma forma no cinema de Maddin, pode ser explorado de diversas formas. Al\u00e9m das experimenta\u00e7\u00f5es visuais e de linguagem, o humor negro e os atores que entenderam bem a medida da caricatura permitem que os diretores explorem temas pol\u00eamicos que fazem mais sentido num cen\u00e1rio entre a inoc\u00eancia e a moral deturpada. Esteticamente, como sempre, \u00e9 bem estimulante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12947 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AL-SHAFAQ-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AL-SHAFAQ-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AL-SHAFAQ-683x1024.jpg 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AL-SHAFAQ-768x1152.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AL-SHAFAQ-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AL-SHAFAQ.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Al-Shafaq \u2013 Quando o C\u00e9u Se Divide<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\n<em>Al-Shafaq &#8211; When Heaven Divides<\/em>, Esen Isik, 2020<\/p>\n<p>O limite entre as boas inten\u00e7\u00f5es e a explora\u00e7\u00e3o de uma cultura alheia pode ser bem t\u00eanue. E \u00e9 nesse terreno \u00e1rido que est\u00e1 \u201cAl-Shafaq\u201d, uma coprodu\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7o-turca que conta a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia s\u00edria expatriada para a Europa para fugir da guerra, mas que n\u00e3o escapa de suas repercuss\u00f5es. Parece um projeto digno, que tenta dar voz a uma cultura tolhida de sua liberdade, mas ao mesmo tempo \u00e9 um filme que se apodera de um lugar de fala para entregar um produto comercial, sobre uma cultura \u201cex\u00f3tica\u201d, que supostamente faz uma den\u00fancia, mas tamb\u00e9m entrega uma \u201cmensagem\u201d. Tudo embaladinho para o circuito internacional de cinemas \u201cde arte\u201d. Todas as escolhas no longa de Esen Isik s\u00e3o c\u00f4modas, seguras e rasas: uma fotografia limpinha, cheia de filtros, uma dramaturgia novelesca, acompanhada de uma estrutura que conta a hist\u00f3ria em flashbacks, um subt\u00edtulo did\u00e1tico, \u201cQuando o C\u00e9u Divide\u201d. A discuss\u00e3o sobre uma quest\u00e3o t\u00e3o complexa como a Guerra Santa \u00e9 simplificada e se resume a estere\u00f3tipos. \u201cO Jovem Ahmed\u201d, que tamb\u00e9m \u00e9 um projeto question\u00e1vel, pelo menos tem um olhar de diretor(es).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12985 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Limiar-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Limiar-225x300.jpg 225w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Limiar.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><strong>Limiar<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\nThreshold, Rouzbeh Akhbari, Felix Kalmenson, 2020<\/p>\n<p>Para um filme com uma dura\u00e7\u00e3o t\u00e3o curta, pouco mais de uma hora, \u201cLimiar\u201d tem algumas das imagens mais bonitas deste ano. O longa passeia por diversos cen\u00e1rios naturais e ru\u00ednas de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos da Arm\u00eania, sob o pretexto de um roteiro que conta a hist\u00f3ria de um cineasta \u00e0 procura loca\u00e7\u00f5es para o seu novo filme. Existe um preciosismo na constru\u00e7\u00e3o de cada quadro, \u00e9 uma fotografia realmente bela, pensada nos m\u00ednimos detalhes e com um forte poder simb\u00f3lico, mas o filme esbarra num grande problema: sem um pr\u00e9vio conhecimento sobre que lugares s\u00e3o aqueles, que hist\u00f3ria esses lugares contam, que tra\u00e7os da cultura arm\u00eania eles representam, muitas dessas imagens ficam simplesmente vazias, viram apenas paisagens deslumbrantes que carregam significados cifrados e que se resolvem puramente no est\u00e9tico embora esteja claro que a inten\u00e7\u00e3o dos diretores vai muito al\u00e9m disso. O impacto de cada plano se dissolve no instante seguinte, como aquela foto linda que voc\u00ea viu no Instagram e de que j\u00e1 esqueceu.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12960 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-206x300.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-206x300.jpg 206w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-704x1024.jpg 704w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-768x1117.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-1056x1536.jpg 1056w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-1408x2048.jpg 1408w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-400x585.jpg 400w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Mulher-Oceano-scaled.jpg 1759w\" sizes=\"auto, (max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><strong>Mulher Oceano<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\nidem, Djin Sganzerla, 2020<\/p>\n<p>\u00c9 interessante como a estreia de Djin Sganzerla como diretora persegue um caminho pr\u00f3prio, que n\u00e3o cai na tenta\u00e7\u00e3o de espelhar nem o cinema do seu pai, nem os filmes dirigidos por sua m\u00e3e. Para a atriz experiente, \u00e9 um novo come\u00e7o e \u00e9 relevante encontrar sua (ou suas) identidade(s). Para isso, Djin se divide em duas, Ana e Hannah; atriz e diretora. E este conceito de dualidade marca \u201cMulher Oceano\u201d em v\u00e1rios n\u00edveis. Ana trabalha num banco e tem como hobby nadar. \u00c9 uma mulher do corpo, do pr\u00e1tico, dos problemas da vida real. Hannah \u00e9 escritora, no meio de uma crise conjugal, acabou de se mudar para outro pa\u00eds. \u00c9 uma mulher da alma, do sentimento, cujos principais desafios s\u00e3o internos. Djin nos conduz atrav\u00e9s das hist\u00f3rias destas duas mulheres, que ela mesma interpreta, encontra paralelos em suas diferen\u00e7as e tenta investigar quem elas s\u00e3o e o que elas estabelecem como metas para si mesmas. Nem sempre consegue as nuances em que claramente mira, muitas vezes deixa a falta de intimidade com a nova fun\u00e7\u00e3o transparecer, mas este primeiro filme indica, sobretudo, uma cineasta disposta a apostar no conceito de &#8220;travessia&#8221; como um objetivo de cinema.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12953 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/NAO-HA-MAL-ALGUM-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/NAO-HA-MAL-ALGUM-202x300.jpg 202w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/NAO-HA-MAL-ALGUM.jpg 673w\" sizes=\"auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><strong>N\u00e3o H\u00e1 Mal Algum<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Sheytan Vojud Nadarad<\/em>, Mohammad Rasoulof, 2020<\/p>\n<p>Mohammad Rasoulof \u00e9 um cineasta-ativista com uma longa ficha corrida. No cinema de cunho social e na delegacia. Sempre procura lan\u00e7ar um olhar humanista para os personagens de seus filmes que, por sua vez, tocam em quest\u00f5es delicadas da realidade iraniana como corrup\u00e7\u00e3o e autoritarismo. J\u00e1 foi preso algumas vezes, teve o passaporte detido, foi proibido de filmar. Mas n\u00e3o para. \u201cN\u00e3o H\u00e1 Mal Algum\u201d, que ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, foi rodado em segredo em pris\u00f5es do do Ir\u00e3. Era um projeto proibido desde o ber\u00e7o, ent\u00e3o, sua mera exist\u00eancia j\u00e1 \u00e9 um \u00eaxito. Mas todo este contexto pol\u00edtico e o fato de que o tema aqui \u00e9, resumidamente, a execu\u00e7\u00e3o de prisioneiros no pa\u00eds, uma ousadia por si s\u00f3, n\u00e3o escondem alguns dos v\u00edcios narrativos que o filme repete. Dividido em quatro hist\u00f3rias que tentam abordar v\u00e1rias nuances da quest\u00e3o, o diretor estrutura cada um dos contos em cima de um plot twist, uma f\u00f3rmula que funciona muito bem no primeiro cap\u00edtulo, mas que se desgasta a cada vez que \u00e9 utilizada. Rasoulof \u00e9 um bom encenador e a sequ\u00eancia que abre o filme mostra um cineasta que sabe criar uma atmosfera a partir do registro da banalidade do cotidiano, um bom diretor de atores, algu\u00e9m que consegue ocupar e explorar os detalhes de seu cen\u00e1rio, mas quando a trama segue para o epis\u00f3dio seguinte e suas articula\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas ficam mais evidentes, o filme perde muito de seu frescor. As estrat\u00e9gias de Rasoulof lembram a maneira com que Asghar Farhadi constr\u00f3i seus roteiros, com a diferen\u00e7a de que um privilegia a &#8220;den\u00fancia&#8221; e o outro investe mais nos personagens.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12987 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/NOVA-ORDEM-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/NOVA-ORDEM-212x300.jpg 212w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/NOVA-ORDEM.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><strong>Nova Ordem<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\n<em>Nuevo Orden<\/em>, Michel Franco, 2020<\/p>\n<p>Uma grande bandeira mexicana tremula antes da \u00faltima cena de \u201cNova Ordem\u201d, a mais recente \u201cpol\u00eamica\u201d de Michel Franco. A \u201cclassifica\u00e7\u00e3o\u201d cabe porque o diretor \u00e9 um expert em filmes que fazem quest\u00e3o de serem desconfort\u00e1veis. Mas a imagem da bandeira mostra que as inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais ambiciosas desta vez. O longa, premiado no Festival de Veneza, pretende ser o retrato de um momento de instabilidade social no M\u00e9xico (mas que a essa altura pode representar qualquer lugar no mundo), imaginando uma realidade dist\u00f3pica em que a tens\u00e3o entre classes assume dimens\u00f5es incontrol\u00e1veis.<\/p>\n<p>Franco \u00e9 um encenador competente, sabe bem como provocar o efeito que precisa na hora de construir uma cena. Os primeiros 30 minutos deste novo trabalho t\u00e3o sejam seu \u201cmais indicado filme\u201d. A maneira como estabelece as rela\u00e7\u00f5es vazias e descreve a hipocrisia entre os membros da alta sociedade mexicana numa festa de casamento \u00e9 bastante eficaz e, embora retrabalhe alguns lugares comuns, n\u00e3o necessariamente simplifica as discuss\u00f5es. O passo seguinte tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o problema. Tivemos muito exemplos de filmes que tentam capturar esse esp\u00edrito de insatisfa\u00e7\u00e3o social que culmina em a\u00e7\u00f5es radicais e viol\u00eancias. Um exemplo recente \u00e9 o \u00f3timo filme brasileiro \u201cCabe\u00e7a de N\u00eago\u201d, que, trabalhando numa escala menor, registra o surgimento desta rea\u00e7\u00e3o como algo espont\u00e2neo e leg\u00edtimo.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 o caminho que o diretor toma a partir deste momento, em que, para instigar respostas ao que destaca, entra no terreno que mais incomoda em seu cinema, o do excesso, em que a viol\u00eancia expl\u00edcita \u00e9 utilizada para invadir a esfera do radical \u00e0 for\u00e7a. Obviamente que d\u00e1 pra entender onde ele quer chegar para vender sua \u201cmensagem\u201d. O triste \u00e9 confirmar, filme ap\u00f3s filme, que esta estrat\u00e9gia de est\u00e9tica do choque \u00e9 sua \u00fanica arma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12949 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AS-ORBITAS-199x300.png\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AS-ORBITAS-199x300.png 199w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AS-ORBITAS-679x1024.png 679w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AS-ORBITAS-768x1159.png 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AS-ORBITAS-1018x1536.png 1018w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/AS-ORBITAS-1357x2048.png 1357w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><strong>As \u00d3rbitas das \u00c1guas<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Frederico Machado, 2020<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos oito anos, Frederico Machado dirigiu cinco longas-metragens, com uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 constru\u00e7\u00e3o formal de cada um deles. Planejou todos os aspectos de suas fotografias, comp\u00f4s quadros para cada cena, demonstrou um cuidado extra com o som, sempre buscando estabelecer uma linguagem cinematogr\u00e1fica para seus projetos. \u00c9 uma trajet\u00f3ria respeit\u00e1vel num pa\u00eds em que poucos cineastas conseguem filmar com tanta const\u00e2ncia. Seu novo longa, &#8220;As \u00d3rbitas da \u00c1gua&#8221;, forma junto com\u00a0&#8220;O Exerc\u00edcio do Caos&#8221; e &#8220;O Signo das Tetas&#8221; uma trilogia que ele chama de &#8220;dantesca&#8221;. Neste desfecho, o diretor maranhense explora com mais intensidade o lado sensorial de sua hist\u00f3ria. A chegada do casal de protagonistas a uma vila de pescadores no in\u00edcio do filme \u00e9, durante v\u00e1rios minutos, uma experi\u00eancia sem di\u00e1logos, onde imagens e ru\u00eddos estabelecem um ambiente et\u00e9reo onde importa mais o movimento dos corpos do que a identidade dos personagens. Mas \u00e0 medida em que eles ganham di\u00e1logos, fun\u00e7\u00f5es mais definidas na trama e o filme procura um caminho mais narrativo, a for\u00e7a daqueles primeiros instantes se dissipa um tanto, o que n\u00e3o tira a originalidade e a ousadia de um projeto de cinema que persegue a autoria.<\/p>\n<p><strong>(+)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lista com todos os filmes que vi na Mostra de 2020 comentados aqui no blog<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Lista com todo os filmes da sele\u00e7\u00e3o j\u00e1 vistos no Letterboxd<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas:<\/strong> a 44\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo acontece online a partir de <strong>22 de outubro<\/strong> e vai at\u00e9 dia <strong>4 de novembro<\/strong>. As informa\u00e7\u00f5es detalhas sobre o evento e sobre cada produ\u00e7\u00e3o exibida est\u00e3o no <strong>site da Mostra<\/strong>. A maior parte dos filmes ser\u00e1 exibida na plataforma <strong>Mostra Play<\/strong>, criada para o evento. Cada filme vai custar <strong>R$ 6<\/strong> e pode ser comprado na pr\u00f3pria plataforma com os cart\u00f5es de cr\u00e9dito Visa e Mastercard. A compra \u00e9 de <strong>um filme por vez<\/strong> e ser\u00e1 liberada \u00e0 meia-noite e um <strong>do dia 21 para o dia 22<\/strong>. Quase todos os filmes j\u00e1 poder\u00e3o ser adquiridos no primeiro dia. Alguns s\u00f3 entram na segunda semana. A partir da data da compra, voc\u00ea tem 3 dias pra dar o play e, a partir do momento em que come\u00e7a a ver o filme, tem 24 horas para terminar de assisti-lo. O longa &#8220;Casa de Antiguidades&#8221; vai ser exibido exclusivamente no Belas a la Carte. A compra deste filme ser\u00e1 nesta plataforma pelo mesmo valor. N\u00e3o \u00e9 preciso ser assinante. Quinze filmes podem ser vistos gratuitamente na plataforma <strong>Sesc Digital<\/strong> e outros quinze ser\u00e3o disponibilizados tamb\u00e9m de gra\u00e7a no <strong>SP Cine Play<\/strong>.<\/p>\n<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Adivinhador \u2605\u2605\u2605 Stump the Guesser, Evan Johnson, Galen Johnson, Guy Maddin, 2020 O formato do curta-metragem cabe muito bem \u00e0s idiossincrasias de Guy Maddin. 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