{"id":46,"date":"2026-05-22T00:31:49","date_gmt":"2026-05-22T03:31:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/e-tudo-verdade-2020\/"},"modified":"2026-05-22T00:31:49","modified_gmt":"2026-05-22T03:31:49","slug":"e-tudo-verdade-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/e-tudo-verdade-2020\/","title":{"rendered":"\u00c9 Tudo Verdade 2020"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12837 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ww-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ww-212x300.jpg 212w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/ww.jpg 707w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><strong>Wim Wenders: Desperado<\/strong> \u2605\u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Eric Friedler e Campino, 2020<\/p>\n<p>Eleger um personagem t\u00e3o conhecido e que ocupa um lugar de culto no imagin\u00e1rio do cinema como objeto de um filme pode ser uma escolha c\u00f4moda para qualquer documentarista e facilmente o levar aos perigos do excesso de rever\u00eancia. Por isso, \u00e9 muito estimulante quando um document\u00e1rio biogr\u00e1fico n\u00e3o se contenta apenas em contar a hist\u00f3ria e as passagens mais marcantes da vida de seu personagem como se seguisse uma checklist, mas tenta &#8212; com seriedade &#8212; interpret\u00e1-lo, analisar sua obra, seu m\u00e9todo. \u00c9 exatamente isso que Eric Friedler e Campino fazem em &#8220;Wim Wenders, Desperado&#8221;, que encerra o \u00c9 Tudo Verdade. Se o filme atravessa pelos principais momentos da carreira do cineasta de &#8220;Paris, Texas&#8221;, ele o faz da maneira mais anal\u00edtica poss\u00edvel, tentando estabelecer tanto o que move Wenders como artista quanto como a liberdade que ele precisa como criador d\u00e1 contornos mais amplos ao mesmo tempo em que pode enclausurar seus trabalhos. A postura do filme \u00e9 de admira\u00e7\u00e3o, certamente, mas nunca sem um contraponto, seja vindo de terceiros ou das pr\u00f3prias ang\u00fastias do diretor. A montagem paralela entre as entrevistas dele e de Francis Ford Coppola sobre os problemas nos bastidores de &#8220;Hammett&#8221; s\u00e3o t\u00e3o envolventes quanto o papo simples, direto, sem firulas, sobre cinema, mem\u00f3ria e identidade com Werner Herzog:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos nada em comum.<br \/>\n&#8211; \u00c9ramos solit\u00e1rios.<br \/>\n&#8211; Mesmo assim sab\u00edamos que precis\u00e1vamos um do outro.<\/p>\n<p>Dificilmente um filme vai dar conta da complexidade de um personagem, mas &#8220;Desperado&#8221; segue um dos caminhos mais interessantes para tentar chegar l\u00e1.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12836 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/boa-noite-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/boa-noite-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/boa-noite-683x1024.jpg 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/boa-noite-768x1152.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/boa-noite-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/boa-noite.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Boa Noite<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\nidem, Clarice Saliby, 2019<\/p>\n<p>Existe um paralelo curioso entre o formato encontrado por Clarice Saliby para seu filme e a pr\u00f3pria figura de Cid Moreira, o apresentador-locutor mais ic\u00f4nico da TV brasileira. Ao tornar a voz dele, que j\u00e1 foi a mais famosa do pa\u00eds, como a voz \u00fanica de seu filme, Clarice referencia seu pr\u00f3prio objeto e ressalta sua posi\u00e7\u00e3o especial na hist\u00f3ria da televis\u00e3o por estas bandas. A decis\u00e3o tamb\u00e9m ajuda a justificar uma das principais cr\u00edticas que o document\u00e1rio pode receber que \u00e9 a de mostrar um Cid Moreira unilateral, uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o oficial do apresentador. Elegendo Cid como fonte \u00fanica de informa\u00e7\u00f5es sobre o filme, a diretora reverte as limita\u00e7\u00f5es do projeto e transforma &#8220;Boa Noite&#8221; numa reflex\u00e3o pessoal, quase um ensaio do jornalista sobre sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Essa perspectiva tamb\u00e9m permite que o espectador encontre Cid Moreira de uma maneira in\u00e9dita: \u00e0 vontade, desglamourizado, consciente de sua pr\u00f3pria idade. Somos convidados a entrar na rotina de um homem com, ent\u00e3o, 91 anos de uma maneira bastante \u00edntima, o que n\u00e3o apenas reverencia uma carreira de muitas d\u00e9cadas, mas oferece bastidores saborosos por conta de sua vitalidade &#8212; \u00e9 impressionante que ele mesmo opere, ajuste e edite suas narra\u00e7\u00f5es no pro tools, por exemplo. A diretora aproveita com bastante intelig\u00eancia as interven\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios do apresentador nas grava\u00e7\u00f5es que faz para o pr\u00f3prio document\u00e1rio, trazendo algum n\u00edvel de metalinguagem sobre o trabalho em si j\u00e1 que compara com registros de seu perfeccionismo na grava\u00e7\u00e3o de uma chamada para o Fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>O ponto mais alto do document\u00e1rio, que utiliza fartamente o arquivo da TV Globo, \u00e9 quando o filme reproduz na \u00edntegra um direito de resposta que Leonel Brizola ganhou na justi\u00e7a contra a emissora e que teve que ser lido por Cid Moreira no Jornal Nacional. Um texto duro, em que Brizola ataca frontalmente a Globo, se defendendo de acusa\u00e7\u00f5es feitas dias antes. Escolha ousada \u2014 j\u00e1 que a Globo tem participa\u00e7\u00e3o fundamental no document\u00e1rio \u2014 principalmente porque Cid explica que estrat\u00e9gia adotou para n\u00e3o emprestar seu carisma para um conte\u00fado que era \u201cofensivo\u201d para o lugar onde trabalhava. Esse momento d\u00e1 a \u201cBoa Noite\u201d um novo frescor. Se n\u00e3o passa a limpo todos os aspectos do personagem que se prop\u00f5e a retratar, Clarice Saliby se aproveita de suas pr\u00f3prias restri\u00e7\u00f5es para criar a linguagem de seu document\u00e1rio e torn\u00e1-lo mais apetitoso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12829 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa-300x300.jpg 300w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa-150x150.jpg 150w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa-768x768.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atravessa.jpg 1828w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Atravessa a Vida<\/strong> \u2605\u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Jo\u00e3o Jardim, 2020<\/p>\n<p>Talvez &#8220;Atravessa a Vida&#8221; n\u00e3o traga novas discuss\u00f5es ao debate sobre a educa\u00e7\u00e3o no Brasil, especialmente no Nordeste, mas logo depois dos primeiros depoimentos fica claro que o foco de Jo\u00e3o Jardim est\u00e1 muito mais em quem s\u00e3o aqueles estudantes e professores (e que hist\u00f3rias eles carregam) do que em discutir o sistema educacional em si. E Jardim, seguindo uma tradi\u00e7\u00e3o de grandes entrevistadores brasileiros, \u00e9 extremamente sens\u00edvel para extrair relatos que se transformam em pequenas confiss\u00f5es desses alunos que, \u00e0s v\u00e9speras do Enem, est\u00e3o prestes tamb\u00e9m a encarar as primeiras decis\u00f5es de sua vida adulta. Momentos delicad\u00edssimos, s\u00e9rios, muito particulares, que ressignificam os formatos e conceitos de fam\u00edlia, dever e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse interesse pelo humano d\u00e1 a esse filme uma beleza rara, algo muito pr\u00f3ximo ao que o diretor fez em &#8220;Pro Dia Nascer Feliz&#8221; quinze anos antes, faz deste um projeto muito especial, muito \u00edntimo e poderoso ao mesmo tempo. Ele encontra personagens incr\u00edveis &#8212; jovens com racioc\u00ednios maduros e profundos sobre como vivem e o que lhes reserva o futuro. Esses testemunhos n\u00e3o apenas ajudam a montar um painel sobre os mecanismos pr\u00f3prios a uma escola p\u00fablica do interior do pa\u00eds (que funciona talvez mais at\u00e9 pelo investimento afetivo do que o governamental) como mapeia a pr\u00f3pria juventude brasileira, aquela que vem de fam\u00edlia simples, sem muitos recursos, que ser\u00e1 a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o a mover o pa\u00eds. Apesar das perspectivas perversas dos \u00faltimos tempos por aqui, se depender das vozes que ouvimos em &#8220;Atravessa a Vida&#8221;, quase nada est\u00e1 perdido.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12827 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-212x300.jpg 212w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-724x1024.jpg 724w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-768x1086.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-1448x2048.jpg 1448w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CORDILHEIRA-scaled.jpg 1810w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/>A Cordilheira dos Sonhos<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\n<em>La Cordillera de los Sue\u00f1os<\/em>, Patricio Guzm\u00e1n, 2019<\/p>\n<p>Depois de dirigir um documento hist\u00f3rico das propor\u00e7\u00f5es dos tr\u00eas cap\u00edtulos de &#8220;A Batalha do Chile&#8221;, qualquer cineasta poderia se aposentar e o que \u00e9 mais louv\u00e1vel em Patricio Guzm\u00e1n \u00e9 que ele construiu uma carreira extremamente coerente e concisa em que a ditadura chilena, suas causas e consequ\u00eancias ficaram como objeto principal. &#8220;A Cordilheira dos Sonhos&#8221; encerra uma trilogia que come\u00e7ou h\u00e1 dez anos e que relaciona a hist\u00f3ria e a realidade do Chile a algum elemento natural. &#8220;Nostalgia da Luz&#8221; olhava para o c\u00e9u, &#8220;O Bot\u00e3o de P\u00e9rola&#8221; para a \u00e1gua; e este novo filme se volta para espinha dorsal do pa\u00eds. Literalmente. A Cordilheira dos Andes \u00e9 o ponto de partida, de questionamentos e de discuss\u00e3o sobre, mais uma vez, os meandros e as repercuss\u00f5es do regime militar. Se a proposta dos tr\u00eas filmes sintetiza a luta e a ideologia de uma vida, o efeito n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o efetivo. Os dois primeiros pecam por buscar um tratamento de documento po\u00e9tico que n\u00e3o funciona muito bem e compromete um objeto forte, o massacre dos povos ind\u00edgenas no sul do pa\u00eds. O pretenso lirismo de Guzm\u00e1n compromete as conex\u00f5es e a mensagem fica em torno de solu\u00e7\u00f5es um tanto piegas. Neste novo longa, as inten\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas s\u00e3o mais dosadas, mas a impress\u00e3o \u00e9 de que o tema j\u00e1 foi esgotado. Embora haja momentos de den\u00fancias graves &#8212; os trechos da cordilheira privatizados para fins de extra\u00e7\u00e3o mineral &#8212; e se encontre um bom personagem (o documentarista que, ao contr\u00e1rio de Guzm\u00e1n, ficou no pa\u00eds e registrou os abusos e a resist\u00eancia \u00e0 ditadura), a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o cineasta est\u00e1 dando voltas em torno de sua tem\u00e1tica \u00fanica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12825 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Os-quatro-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Os-quatro-300x300.jpg 300w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Os-quatro-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Os-quatro-150x150.jpg 150w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Os-quatro-768x768.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Os-quatro.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Os Quatro Paralamas<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\nidem, Roberto Berliner, 2020<\/p>\n<p>Os Paralamas do Sucesso s\u00e3o o homens-aranha do rock brasileiro, os amigos da vizinhan\u00e7a, os caras normais. Num universo em que cada banda criou uma identidade muito marcada (messi\u00e2nicos, engra\u00e7adinhos, experimentais), o grupo seguiu firme como um coletivo de amigos que faz m\u00fasica e, se isso n\u00e3o ajuda a destac\u00e1-los por perfis muitos definidos, empresta a eles, que est\u00e3o juntos h\u00e1 quase 40 anos, uma aura de intimidade que poucos conseguiram no rock nacional. E \u00e9 justamente isso que chama aten\u00e7\u00e3o neste document\u00e1rio de Roberto Berliner, o retrato \u00edntimo desse grupo de amigos. O diretor mesmo \u00e9 um velho conhecido: dirigiu muitos clipes e at\u00e9 outros docs sobre a banda, acompanha o grupo desde sempre. Seu olhar para eles \u00e9 contaminado de afeto e camaradagem e, por isso, esse projeto, do jeito que \u00e9, s\u00f3 poderia ter sido feito por ele.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um excesso de proximidade por conta da rela\u00e7\u00e3o pessoal com os m\u00fasicos, h\u00e1 muita espontaneidade no registro destes momentos pessoais. \u00c9 uma biografia provavelmente completamente autorizada, mas que nunca soa como oficialesca. &#8220;Os Quatro Paralamas&#8221; contra a trajet\u00f3ria do grupo, da maneira mais cronol\u00f3gica poss\u00edvel, e inclui ao trio principal (Herbert, Bi e Barone) \u00e0 figura do amigo e empres\u00e1rio Jos\u00e9 Fortes, que est\u00e1 com os tr\u00eas desde o in\u00edcio. Os registros de shows cl\u00e1ssicos e os muitos depoimentos coletados ao longo dos anos se contrap\u00f5em a cenas que capturam o cotidiano dos personagens e outras em que eles s\u00e3o for\u00e7ados a divagar sobre o que os une at\u00e9 hoje. Algumas cenas s\u00e3o t\u00e3o delicadas que podem at\u00e9 passar despercebidas, como quando Herbert destaca a ent\u00e3o nova composi\u00e7\u00e3o no viol\u00e3o para a c\u00e2mera. Ele cantarola a letra de &#8220;Saber Amar&#8221; e termina perguntando: &#8220;s\u00e3o bacanas estas m\u00fasicas, n\u00e9?&#8221;. Berliner responde: &#8220;muito.<\/p>\n<p>Enquanto retrato afetivo, o filme \u00e9 um grande acerto e como documento de uma hist\u00f3ria traz muitos momentos especiais e de f\u00e1cil conex\u00e3o para o espectador. Principalmente aqueles que acompanharam essa trajet\u00f3ria nos anos 80 e 90. O filme talvez s\u00f3 peque em ir mais a fundo neste registro. O acidente que deixou Herbert Vianna numa cadeira de rodas e que tirou a vida de sua mulher, Lucy, \u00e9 tratado com muita pondera\u00e7\u00e3o, sem entrar em muitos detalhes e valorizando a parceria entre os quatro naquele momento. Mas esta talvez seja a quest\u00e3o: Berliner quis muito mais pintar um retrato \u00edntimo da banda do que decifrar suas complexidades e isso ele faz muito bem. E os Paralamas do Sucesso talvez nem seja o objeto ideal pra ficar apontando &#8220;outros lados&#8221;.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12819 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Meu-Querido-Supermercado-1-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Meu-Querido-Supermercado-1-210x300.jpg 210w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Meu-Querido-Supermercado-1.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/>Meu Que<\/strong><strong>rido Supermercado<\/strong> \u2605\u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Tali Yankelevich, 2019<\/p>\n<p>Esse primeiro longa de Tali Yankelevich \u00e9 uma bel\u00edssima surpresa porque funciona tanto como experi\u00eancia est\u00e9tica quanto como retrato de uma comunidade. No caso, os funcion\u00e1rios de um supermercado. \u00c9 um filme que d\u00e1 um novo f\u00f4lego ao modelo de document\u00e1rio que explora um determinado lugar para conhecer seus personagens (porque atrav\u00e9s dos depoimentos deles tamb\u00e9m se comp\u00f5e um painel de um lugar). Al\u00e9m de encontrar figuras interessant\u00edssimas, complexas e cheias de hist\u00f3rias saborosas para contar, personagens que s\u00e3o retratados com muita delicadeza e respeito a sua vis\u00e3o de mundo, a composi\u00e7\u00e3o visual e sonora do filme \u00e9 extremamente apurada. A trilha ajuda a compor atmosferas diferentes dependendo das inten\u00e7\u00f5es narrativas de cada sequ\u00eancia. E a fotografia encontra detalhes e sutilezas, tanto explorando a luz, as cores e os contornos &#8220;naturais&#8221; do cen\u00e1rio quanto investigando junto com as c\u00e2meras de seguran\u00e7a e uma implac\u00e1vel vigilante os movimentos cotidianos daquele espa\u00e7o. Essa po\u00e9tica da imagem deixa &#8220;Meu Querido Supermercado&#8221; numa prateleira bem especial.<\/p>\n<p>Mas, afinal, &#8220;quem vai salvar o mundo?&#8221;:<br \/>\n&#8211; Goku!<\/p>\n<p>Outros filmes:<\/p>\n<p><strong>1982<\/strong> \u2605\u2605\u2605\u00bd\u00a0(Lucas Gallo, 2019)<br \/>\n<strong>Colectiv<\/strong> \u2605\u2605\u2605 (Alexander Nanau, 2019)<br \/>\n<strong>Fic\u00e7\u00e3o Privada<\/strong> \u2605\u2605\u2605 (Andr\u00e9s Di Tella, 2019)<br \/>\n<strong>Forman vs. Forman<\/strong> \u2605\u2605\u2605 (Helena T\u0159e\u0161t\u00edkov\u00e1, Jakub Hejna, 2019)<br \/>\n<strong>Suspens\u00e3o<\/strong> \u2605\u2605\u2605 (Sim\u00f3n Uribe Mart\u00ednez, 2020)<\/p>\n<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wim Wenders: Desperado \u2605\u2605\u2605\u00bd idem, Eric Friedler e Campino, 2020 Eleger um personagem t\u00e3o conhecido e que ocupa um lugar de culto no imagin\u00e1rio do cinema como objeto de um filme pode ser uma escolha c\u00f4moda para qualquer documentarista e facilmente o levar aos perigos do excesso de rever\u00eancia. Por isso, \u00e9 muito estimulante quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":45,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-46","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}