{"id":53,"date":"2026-05-22T00:39:53","date_gmt":"2026-05-22T03:39:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-10\/"},"modified":"2026-05-22T00:39:53","modified_gmt":"2026-05-22T03:39:53","slug":"mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ethevaldo.com.br\/index.php\/2026\/05\/22\/mostra-de-cinema-de-sao-paulo-2020-post-10\/","title":{"rendered":"Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo 2020: post 10"},"content":{"rendered":"<p><strong>&gt;&gt;<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13136 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Crianc\u0327as-do-Sol-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Crianc\u0327as-do-Sol-223x300.jpg 223w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Crianc\u0327as-do-Sol-762x1024.jpg 762w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Crianc\u0327as-do-Sol-768x1032.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Crianc\u0327as-do-Sol.jpg 953w\" sizes=\"auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><strong>Crian\u00e7as do Sol<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Khorshid<\/em>, Majid Majidi, 2020<\/p>\n<p>As crian\u00e7as sempre foram o objeto de estudo favorito do iraniano Majid Majidi. O cineasta criou toda uma carreira em torno delas, transformando as hist\u00f3rias que conta em pequenas par\u00e1bolas que refletem a pol\u00edtica e a sociedade do pa\u00eds. Mas, como seus filmes t\u00eam presen\u00e7a garantida em festivais e circulam em cinemas de arte ao redor do mundo, Majidi parece se contentar com uma postura de menor confronto com \u00e0s autoridades (ao contr\u00e1rio de alguns dos cineastas mais importantes de seu pa\u00eds). \u201cCrian\u00e7as do Sol\u201d n\u00e3o foge \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do cinema do diretor: se existe uma escola que tenta resistir ao sistema capitalista que a cerca, h\u00e1 tamb\u00e9m um mesmo modelo de filme agridoce que o diretor faz h\u00e1 anos, apresentando, entre o drama e a com\u00e9dia, crian\u00e7as &#8220;ador\u00e1veis&#8221; que resistem \u00e0s dificuldades que as perseguem. Aqui, o protagonista, o expressivo Roohollah Zamani, lidera uma trupe de meninos que comete pequenos golpes para ajudar a sustentar suas fam\u00edlias at\u00e9 que recebe a miss\u00e3o de encontrar um tesouro. N\u00e3o deixa de ser interessante como esta f\u00f3rmula pode ser lida como uma met\u00e1fora do pr\u00f3prio cinema do diretor, que atrav\u00e9s de uma narrativa simples revela um coment\u00e1rio social discreto, mas que mira na empatia do espectador. Da mesma maneira como quem assiste a um filme do cineasta, os personagens deste novo trabalho se v\u00eaem encantados pela ideia de um conto de fadas (que vai resgat\u00e1-los daquela realidade dif\u00edcil), mas, assim como os espectadores, eles v\u00e3o se confrontando com uma realidade que chega a conta-gotas, no contexto e nos pequenos detalhes, numa anota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica disfar\u00e7ada de f\u00e1bula para comover quem v\u00ea e n\u00e3o desagradar quem olha.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13057 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DENTE-POR-DENTE-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DENTE-POR-DENTE-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DENTE-POR-DENTE-683x1024.jpg 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DENTE-POR-DENTE-768x1152.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DENTE-POR-DENTE-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/DENTE-POR-DENTE.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Dente por Dente<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\nidem, Julio Taubkin e Pedro Arantes, 2020<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante perceber que alguns realizadores contempor\u00e2neos tentam recuperar um certo cinema de g\u00eanero no Brasil. Se, por um lado, n\u00e3o temos uma grande tradi\u00e7\u00e3o em thrillers, h\u00e1 bons exemplos em nossa filmografia que abra\u00e7aram esse caminho, mas perseguiram uma certa identidade brasileira. \u201cDente por Dente\u201d impressiona pela produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um filme com bastante cuidado com os aspectos t\u00e9cnicos (fotografia, dire\u00e7\u00e3o de arte, som), mas foge um pouco desse movimento em dire\u00e7\u00e3o a criar obras que traduzam mais indicado, ou mais de perto, alguma conex\u00e3o com quest\u00f5es mais particulares. O filme de J\u00falio Taubkin e Pedro Arantes \u00e9 assumidamente inspirado em longas policiais coreanos, mas ao mesmo tempo guarda n\u00edtidas influ\u00eancias de um cinema de g\u00eanero norte-americano bem tradicional. A ideia de construir a trama em torno da simbologia dos dentes \u00e9 curiosa, mas n\u00e3o consegue encontrar no roteiro, que recorre a estere\u00f3tipos e frases de efeito, uma maneira de desenvolver com alguma originalidade este ponto de partida. A presen\u00e7a de bons atores do elenco ajuda a dar credibilidade para o projeto, mas se o filme revela diretores interessados em fazer um cinema profissional e popular, ainda falta encontrar o discurso que garanta pulso para os pr\u00f3ximos trabalhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13137 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Malmkrog-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Malmkrog-214x300.jpg 214w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Malmkrog.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><strong>Malmkrog<\/strong> \u2605\u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Cristi Puiu, 2020<\/p>\n<p>A nova empreitada de Cristi Puiu faz um curioso paralelo com \u201cDias\u201d, trabalho mais recente de Tsai Ming-liang. Enquanto o filme do malaio praticamente n\u00e3o tem di\u00e1logos, as palavras, muitas delas, s\u00e3o a base do trabalho do romeno. Os dois longas s\u00e3o opostos complementares, mas se o cinema de observa\u00e7\u00e3o, minimalista, de Tsai encontra alguns bons pares recentes, \u201cMalmkrog\u201d \u00e9 um filme que n\u00e3o se faz mais hoje em dia. Puiu faz um filme de discuss\u00e3o, de argumenta\u00e7\u00e3o, que coloca o texto em primeiro plano, mas n\u00e3o abandona o apuro com as imagens, a linguagem cinematogr\u00e1fica. Em alguns momentos, lembra Marguerite Duras ou Jacques Rivette, com seus enquadramentos r\u00edgidos e movimentos de c\u00e2mera muito discretos, sem esquecer do que foge \u00e0 a\u00e7\u00e3o principal, mas comp\u00f5e o fundo das cenas, trazendo elementos importantes n\u00e3o apenas para essa composi\u00e7\u00e3o dos planos, mas para estabelecer contextos e atmosferas. atmosfera. Puiu partiu de um livro do fil\u00f3sofo russo Vladimir Soloviov e, durante 3h20, promove uma sucess\u00e3o de debates acirrados entre cinco membros da aristocracia russa que passam f\u00e9rias numa mans\u00e3o na Transilv\u00e2nia. Ao longo de todo esse tempo, se debate vida, morte, religi\u00e3o, guerra e etnias em di\u00e1logos complexos que precisam de uma certa dedica\u00e7\u00e3o do espectador para ter sua for\u00e7a completamente compreendida.<\/p>\n<p>O texto erudito \u00e9 defendido por bons atores, que falam em franc\u00eas, l\u00edngua oficial da classe alta, e revelam v\u00e1rios aspectos do pensamento aristocr\u00e1tico da \u00e9poca, entre o fim do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX. Num dos momentos mais instigantes os cinco personagens devaneiam sobre o \u201ceuropeu\u201c, como se se colocassem numa posi\u00e7\u00e3o de observadores que frequentam aquele meio, mas flutuam sobre sua ess\u00eancia mundana. O sexto protagonista do longa, dividido em cap\u00edtulos batizados com os nomes de cada um dos personagens, \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o faz parte desta nobreza intelectual aqui retratada. Istv\u00e1n \u00e9 o chefe dos empregados da casa, um homem que reproduz o tratamento hier\u00e1rquico que se acostumou a seguir, mas que estrela um dos momentos mais surpreendentes e angustiantes do filme. O diretor parece nem um pouco interessado em fazer concess\u00f5es: realizar um filme t\u00e3o erudito e com uma dura\u00e7\u00e3o t\u00e3o prolongada, num projeto est\u00e9tico t\u00e3o completamente fechado, mostra que Puiu quer oferecer uma obra completamente particular, uma reflex\u00e3o filos\u00f3fica sobre a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e sobre os princ\u00edpios civilizat\u00f3rios, mostrando de onde v\u00eam muitos dos fundamentos do nosso pensamento intelectual presentes at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13140 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/meu-corac\u0327a\u0303o-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/meu-corac\u0327a\u0303o-203x300.jpg 203w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/meu-corac\u0327a\u0303o.jpg 297w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><strong>Meu Cora\u00e7\u00e3o S\u00f3 Ir\u00e1 Bater se Voc\u00ea Pedir<\/strong> \u2605\u2605<br \/>\n<em>My Heart Can&#8217;t Beat Unless You Tell It To<\/em>, Jonathan Cuartas, 2020<\/p>\n<p>Muitas vezes o cinema independente americano parece t\u00e3o preso \u00e0s mesmas ideias de narrativa, atmosfera e de tem\u00e1tica que parece que qualquer movimento na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao que j\u00e1 existe simplesmente nem \u00e9 considerado. O primeiro longa de Jonathan Cuartas notadamente tentar se afastar das regras do filme de g\u00eanero para desenvolver uma identidade pr\u00f3pria e autoral para \u201cMeu Cora\u00e7\u00e3o S\u00f3 Vai Parar de Bater Se Voc\u00ea Pedir\u201d, mas, ao mesmo tempo em que toma esse caminho, o filme se torna cada vez mais dependente do modelo de filme ind para festivais de cinema: uma certa assepsia visual \u2014 mesmo quando a cena pede sujeira \u2014, uma narrativa deliberadamente fria, met\u00e1fora j\u00e1 cansada para refletir o comportamento mec\u00e2nico dos personagens e atua\u00e7\u00f5es pretensamente minimalistas para abarcar toda essa embalagem. \u00c9 um projeto de cinema j\u00e1 t\u00e3o desgastado que o impacto se dilui \u00e0 primeira compara\u00e7\u00e3o. Cuartas parece acreditar que est\u00e1 apresentando uma nova perspectiva sobre o vampirismo, mas parece nunca ter visto filmes que tratam a condi\u00e7\u00e3o como uma patologia (poderia come\u00e7ar por \u201cO V\u00edcio\u201d, de Abel Ferrara). Essa persegui\u00e7\u00e3o por originalidade d\u00e1 ao filme um tom cerimonioso e cerebral que apaga a potencialidade de lidar com aspectos menos materiais. Nota-se uma dedica\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 a presen\u00e7a de Patrick Fugit oferece algo mais estimulante nesta experi\u00eancia de cinema hipster.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13138 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-214x300.jpg 214w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-731x1024.jpg 731w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-768x1076.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-1097x1536.jpg 1097w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-1462x2048.jpg 1462w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/OS-NOMES-DAS-FLORES-scaled.jpg 1828w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><strong>Os Nomes das Flores<\/strong> \u2605\u2605\u2605<br \/>\n<em>Los Nombres de las Flores<\/em>, Bahman Tavoosi, 2019<\/p>\n<p>Os enquadramentos planejados em detalhes pelo diretor Bahman Tavoosi criam um curioso contraste com a simplicidade da hist\u00f3ria. S\u00e3o imagens bonitas, escolhidas com cuidado, mas que retratam o cotidiano \u00e1spero da protagonista, uma professora que vive nas montanhas bolivianas e que construiu sua vida em torno de uma mem\u00f3ria. \u201cOs Nomes das Flores\u201d \u00e9 uma reflex\u00e3o delicada sobre a maneira como nos relacionamos com nossos mitos \u2014 e como os usamos como motores para as nossas vidas. O que realmente importa na hist\u00f3ria da mulher que teria servido um prato de sopa para Che Guevara (e recebido em troca um poema sobre flores) n\u00e3o \u00e9 a vers\u00e3o correta dos fatos, mas o que se fez com eles. Tavoosi, iraniano expatriado, escolheu o interior da Bol\u00edvia como cen\u00e1rio e tema de seu primeiro longa-metragem. Quando os outros personagens questionam a hist\u00f3ria da professora e se instala um clima de acusa\u00e7\u00e3o no vilarejo, o cineasta n\u00e3o se interessa em decifrar o que h\u00e1 de real ou n\u00e3o, mas nos confronta com uma reflex\u00e3o: o que \u00e9 mais essencial? Os fatos que constroem nossas hist\u00f3rias ou as hist\u00f3rias que constru\u00edmos a partir dos fatos?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13139 alignright\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sobradinho-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sobradinho-200x300.jpg 200w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sobradinho-683x1024.jpg 683w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sobradinho-768x1152.jpg 768w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sobradinho-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Sobradinho.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><strong>Sobradinho<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Cl\u00e1udio Marques e Mar\u00edlia Hughes, 2020<\/p>\n<p>\u00c9 em torno da hist\u00f3ria de Dona Pequenita que se desenvolve a narrativa deste document\u00e1rio. Ela \u00e9 uma das milhares de pessoas que tiveram que abandonar suas casas nos anos 1970, no norte da Bahia, para que fosse constru\u00edda a barragem de Sobradinho, que resultou num dos maiores lagos artificiais do mundo e possibilitou a cria\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica. O filme de Cl\u00e1udio Marques e Mar\u00edlia Hughes procura recontar a trajet\u00f3ria desta mulher para resgatar a mem\u00f3ria do desterro de um povo que perdeu suas ra\u00edzes para \u201co progresso\u201d. \u00c9 um bom ponto de partida e, para ajudar a confeccionar essa viagem no tempo, os diretores est\u00e3o unidos de grande quantidade de imagens de arquivo cujo principal papel e mostrar a maneira como o despejo dos moradores da regi\u00e3o foi tratado \u00e0 \u00e9poca. O sen\u00e3o de \u201cSobradinho\u201d \u00e9 que, se a personagem oferece um vasto material humano, ela termina perdendo espa\u00e7o para as tr\u00eas ex-funcion\u00e1rias do projeto de constru\u00e7\u00e3o da barragem, que s\u00e3o convocadas para refletir sobre o que aconteceu e repassar aquela hist\u00f3ria. \u00c9 a\u00ed que o filme perde um pouco do apelo emocional que poderia ter. Existe uma cena em especial que caminha para outra dire\u00e7\u00e3o, explorando n\u00e3o apenas o que se deixou pra tr\u00e1s, mas quem se deixou pra tr\u00e1s, o que conecta \u2014 ainda que brevemente \u2014 o filme com o longa de Lesoto \u201cIsso N\u00e3o \u00c9 um Enterro, \u00e9 uma Ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13141 alignleft\" src=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Vivos-218x300.jpg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Vivos-218x300.jpg 218w, https:\/\/filmesdochico.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Vivos.jpg 580w\" sizes=\"auto, (max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/><strong>Vivos<\/strong> \u2605\u2605\u00bd<br \/>\nidem, Ai Weiwei, 2020<\/p>\n<p>Ai Weiwei ocupa um papel essencial no mundo hoje em dia: o chin\u00eas se transformou num dos ativistas sociais mais conhecidos do planeta ao utilizar a arte como uma maneira de militar pelas mais diversas causas. O que, no entanto, parece competir com ou diluir sua \u201cmiss\u00e3o\u201c \u00e9 a quantidade de causas com que ele se envolve. Do drama dos refugiados \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus, o artista se envolveu com as mais variadas discuss\u00f5es. Este novo filme abre mais uma vertente em seu curr\u00edculo de milit\u00e2ncia: em \u201cVivos\u201d, ele investiga o desaparecimento de 43 estudantes de uma escola mexicana numa regi\u00e3o controlada pelo tr\u00e1fico de drogas e pela corrup\u00e7\u00e3o policial. Como document\u00e1rio, n\u00e3o deixa de ser um exerc\u00edcio competente, com Ai Weiwei entrevistando as fam\u00edlias que convivem com aus\u00eancia de seus filhos h\u00e1 seis anos. Existem alguns momentos em que o cineasta consegue capturar o que o vazio e a falta de respostas representam na vida dos personagens, mas a estrutura tradicional do filme n\u00e3o permite que essa investiga\u00e7\u00e3o v\u00e1 muito al\u00e9m disso e, talvez por uma certa rever\u00eancia e respeito pelo assunto, o luto daquelas pessoas n\u00e3o encontra uma tradu\u00e7\u00e3o de linguagem, o que \u00e9 frustrante diante da capacidade criativa do diretor.<\/p>\n<p><strong>(+)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lista com todos os filmes que vi na Mostra de 2020 comentados aqui no blog<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Lista com todo os filmes da sele\u00e7\u00e3o j\u00e1 vistos no Letterboxd<\/strong>.<\/p>\n<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&gt;&gt; Crian\u00e7as do Sol \u2605\u2605\u2605 Khorshid, Majid Majidi, 2020 As crian\u00e7as sempre foram o objeto de estudo favorito do iraniano Majid Majidi. 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